Como Lidar com a Disforia de Gênero

Muitas vezes é difícil para transgêneros e pessoas que possuem outras variações de identidades de gênero lidar com a disforia. Enquanto alguns são ansiosos por abraçar sua identidade e iniciar a transição, outros preferem aliviar os sintomas da disforia. Mas não há uma solução mágica. A única regra é: jamais aja por conta do desespero ou por pensar que há alguma fórmula capaz de fazer desaparecer todos os seus problemas de uma vez. Mantenha a calma e relaxe. Os problemas de auto-estima (geralmente relacionados ao formato do peito, ao tom de voz e até às roupas e cabelo) requerem que aqueles que vivem essa condição tenham uma grande força interior. Aqui estão algumas dicas para lidar com as dificuldades da disforia de gênero.

Passos

  1. Seja esperançoso(a). Tenha fé. Por mais que as perspectivas de melhora pareçam distantes, lembre-se de que você vive numa época em que pode obter ajuda. Você ainda tem a oportunidade de ser a pessoa que almeja. Saiba que muita gente passou e superou as mesmas dificuldades por que você está passando agora. Você não está sozinho(a) e sua condição não é "esquisita". Muitos transgêneros vivem uma vida saudável e feliz.
  2. Expresse seus sentimentos. Dizer ou expressar aquilo por que você está passando pode ajudá-lo(a) a lidar com seus problemas, e há várias formas de fazê-lo: desenho, escrita, pintura e até corrida. Se aproveite de qualquer coisa que tiver à mão para superar seus problemas. É importante extravasar os sentimentos negativos. Tais emoções podem causar danos físicos e mentais, e reprimi-las pode levar você a adotar uma postura defensiva em seus relacionamentos ou causar infelicidade. Não se deixe dominar pelo sentimento de que você é defeituoso(a), de que há algo errado com você. Com o tempo, ele levá-lo(a) a ferir a si próprio(a), ao estresse e à depressão. Portanto encontre qualquer meio de extravasar.
  3. Respire fundo. Relaxe. Quando sentir que suas preocupações vão paralisar você, inspire e expire calmamente. Ter equilíbrio é uma boa forma de lidar com as próprias emoções, e atividades como meditação e yoga são ótimas formas de estimular essa habilidade de se tranquilizar.
  4. Entenda os seus sentimentos. Pesquise a respeito da transgeneridade e da disforia de gênero. Há muitos vídeos no YouTube a respeito do assunto. Androginia e transgeneridade são bem diferentes: a primeira não causa desconforto do indivíduo com a identidade de gênero que ele exerce, mas ele gosta de transitar entre os dois gêneros; a segunda é um conflito inerente do indivíduo com a identidade de gênero que ele exerce (se ele não tiver feito a transição). Um garoto que se sente confortável em roupas de garota não é necessariamente transgênero. Mas a vida é difícil também para essas pessoas, já que a sociedade tende a rejeitar tudo aquilo que não se enquadra em categorias pré-estabelecidas. Entenda que as coisas por que você passa são totalmente normais e que você é um ser humano especial e importante, não importa a sua condição.
    • As pessoas vêm em tamanhos e formas diferentes. Cada uma tem um modo peculiar de se comportar (através do modo de caminhar, da vestimenta, do tom de voz etc.). Aceite suas singularidades. Não deixe que a sociedade defina quem você é; só quem pode te definir é você mesmo(a).
  5. Ouça a si próprio(a). Não preste atenção a quem diz que a disforia é algo relacionado a traumas ou que é "frescura". Sua disforia é parte de quem você é, e você é uma pessoa desconfortável com o papel de gênero que é obrigada a exercer. É como ser gay — ninguém escolhe ser assim! Você só é alguém tentando encontrar um modo de ser feliz.
  6. Tenha um bom amigo. Ter alguém em quem você confia e que esteja disposto a te ouvir é uma grande ajuda para entender melhor seus sentimentos e a sua situação. Às vezes, é um alívio poder falar aquilo que se pensa sem medo de críticas. Não subestime a importância da sensação de ser ouvido(a) e compreendido(a). Procure se conectar com outros transgêneros através de fóruns do assunto na internet. Faça amizade com uma pessoa e se comunique com ela através do Skype ou de outro serviço de mensagens. Muitas pessoas estão passando por exatamente os mesmos problemas que você neste instante. O número de gente procurando alguém com quem conversar a respeito desses assuntos é surpreendente.
    • Fale consigo mesmo(a). Isso não faz de você louco(a). Falar é um modo de libertar as emoções que estão se acumuladas dentro de você. Algumas pessoas comparam a eficiência de falar consigo mesmo com a de uma boa crise de choro. Essa é uma forma de se livrar da tristeza e do estresse.

Dicas

  • Chore, se necessário. Chorar é normal e extravasar é importante. Reter as próprias emoções não é um hábito saudável.
  • Nossas emoções podem ser imprevisíveis, como o clima. Ninguém está 100% calmo ou feliz a maior parte do tempo. Há dias em quem nos sentimos tristes, preocupados, talvez até furiosos. Mas lembre-se de que a preocupação eventualmente irá embora. Às vezes, somos acometidos por tristeza ou por aborrecimentos e parece que não há nada que podemos fazer para detê-los. Mas eles são como a chuva: eventualmente, irão embora e o sol voltará a brilhar.

Avisos

  • Se você pensa em suicídio, por favor, procure ajuda.
    • Se você mora nos Estados Unidos, procure The Trevor Project (866-488-7386) ou a organização Crisis Intervention and Suicide Prevention for LGBT youth
    • O Brasil também dispõe de núcleos de apoio para transgêneros
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