Como Superar o Medo de Altura

Estima-se que o medo extremo de altura, também conhecido como acrofobia, afete até cinco por cento da população mundial. Embora quase todo mundo apresente um certo grau de ansiedade ao imaginar uma queda grande e perigosa, esse medo pode ser debilitante para algumas pessoas. Se o medo de altura for tão extremo a ponto de interferir com seu desempenho na escola ou no trabalho ou impedi-lo de desfrutar das atividades diárias, talvez você sofra de acrofobia. Continue lendo para aprender mais sobre a doença e os métodos eficazes para lidar com ela.

Entendendo e possivelmente enfrentando o medo

  1. Determine a intensidade do medo e quais fatores o desencadeiam. Você poderá precisar de um tratamento especializado em fobias (em vez de ser tratado apenas para algum outro tipo de transtorno de ansiedade), caso apresente um estresse extremo só de pensar em estar a uma certa altura. Você também pode apresentar alterações fisiológicas, como frequência cardíaca e pressão arterial elevadas e aumento do suor. Nesse caso, precisará de um tratamento especializado. Se o medo de altura não for tão grave assim, com um pouco de prática você poderá esforçar-se para aliviar qualquer desconforto que o atinja em determinadas alturas. Por outro lado, se o desconforto for tão grave que você não consiga enfrentá-lo por conta própria, poderá precisar de um tratamento com terapia ou medicação.
    • Por exemplo, você já deixou de aceitar um emprego porque o escritório ficava localizado acima de um determinado piso ou perdeu a oportunidade de se reunir com pessoas importantes porque elas pediram para encontrá-lo em um local muito alto? Em caso afirmativo, isso poderia indicar algo mais sério do que um simples "medo de altura", como um transtorno fóbico-ansioso.
    • Se você não souber ao certo quantas vezes o medo de altura o impediu de fazer alguma coisa, sente-se e crie uma lista. Pense em todas as vezes em que não conseguiu fazer o que queria ou precisava por causa do medo. Colocar isso no papel poderá dar uma ideia mais definida do quão gravemente esse medo tem impactado a sua vida.
  2. Considere a probabilidade da ocorrência de qualquer dano real decorrente das situações que você teme. Por definição, uma fobia é um medo "irracional" de experiências que a maioria das pessoas não julga perigosas. No entanto, se o medo de altura for relativamente leve, apelar para as estatísticas poderia colocar a situação em perspectiva. Geralmente, as coisas que provocam medo de altura (arranha-céus, aviões e montanhas-russas, por exemplo) são extremamente seguras. Essas coisas são especificamente projetadas para serem o mais resistentes e seguras possível. É fácil se esquecer do quão improvável é a ocorrência de qualquer dano recorrente de atividades normais do cotidiano, como voar de avião ou trabalhar em um edifício muito alto.
    • Por exemplo, dependendo da companhia aérea, as chances de você se envolver em um acidente fatal podem ser de uma em 20 milhões. Compare essa probabilidade com as chances de um cidadão dos Estados Unidos ser atingido por um raio, estimadas em cerca de uma em um milhão..
  3. Relaxe. Atividades relaxantes que se concentram na harmonia entre o corpo e a mente, como a ioga e a meditação, podem influenciar a forma como o medo e a ansiedade afetam a vida. Isso pode ser algo tão simples como praticar exercícios de respiração profunda ao mesmo tempo em que você pensa nas situações que teme ou pode incluir passar um tempo frequentando aulas de ioga. Essas práticas poderão ajudá-lo a tomar consciência da forma como as emoções estão ligadas aos processos fisiológicos, como a respiração, os batimentos cardíacos e o suor.
    • Praticar exercícios físicos regularmente, dormir bastante e manter uma dieta saudável são ótimas formas de regular os processos fisiológicos relacionados às fobias e à ansiedade. Começar aos poucos — por exemplo, fazendo caminhadas regularmente ou bebendo mais smoothies caseiros de frutas, em vez de consumir lanches gordurosos — poderá colocá-lo no caminho certo.
  4. Considere eliminar a cafeína da dieta. O consumo de cafeína pode contribuir para a ansiedade relacionada à acrofobia. Limitar ou cortar o consumo de cafeína poderá ajudar a aliviar esses sintomas. Além disso, a redução do consumo de cafeína poderá torná-lo menos tenso e mais relaxado, fazendo com que seja mais fácil enfrentar seu medo.
  5. Exponha-se gradualmente ao medo. Tente expor-se a alturas mais elevadas, de forma lenta e progressiva. Por exemplo, você pode começar simplesmente estudando em uma varanda no segundo andar. Em seguida, poderá tentar subir uma grande colina e olhar para baixo, observando a distância percorrida. Quando estiver confortável, continue expondo-se a alturas cada vez maiores. Se possível, sempre busque ter o maior apoio possível durante essas atividades, convidando um amigo para ir com você, por exemplo. Orgulhe-se de cada pequena realização e não perca a motivação. Com paciência, você poderá acabar saltando de bungee jump para comemorar sua superação.
    • Pode ser muito difícil forçar-se a fazer algo que o deixe nervoso. Dê-se um "empurrão" adicional, criando situações em que você precisará enfrentar o medo. Por exemplo, se você estiver em um parque de diversões e um amigo quiser que você o acompanhe em uma atração assustadora, aceite o convite e compre um bilhete. É mais provável que você faça alguma coisa se já tiver investido na experiência. Não se esqueça de que você pode usar técnicas de relaxamento para acalmar o medo.

Tentando a terapia

  1. Conheça seus limites pessoais. Se você sempre perde oportunidades por causa do medo de altura e já tentou enfrentá-lo, deve considerar opções mais a longo prazo. Analise essas opções com cuidado, observando como elas poderão ajudá-lo a aproveitar as oportunidades.
    • Estudos demonstram que várias técnicas de tratamento encontradas na terapia, como a Terapia cognitivo-comportamental (TCC), são úteis na gestão de fobias específicas, como a acrofobia.
  2. Encontre um terapeuta que atenda às suas necessidades. Há diversas escolas de psicoterapia, que vão desde o método psicanalítico tradicional até abordagens existenciais e alternativas. O objetivo de qualquer programa de terapia deve ser ajudá-lo a diminuir o medo de forma segura e gradual, ensinando você a controlar a ansiedade. A terapia pode ou não ser combinada com tratamentos medicinais. No final das contas, você deve decidir qual tipo de terapia é o melhor para você. Porém, existem algumas coisas que você precisa considerar na hora de escolher um terapeuta, como:
    • Credibilidade. Antes de iniciar um programa de terapia, pesquise a educação e a certificação dos terapeutas e conselheiros que estiver considerando. Tente encontrar um terapeuta ou conselheiro licenciado e com algum tipo de experiência no tratamento de fobias ou ansiedade.
    • Experiência. Tente encontrar um terapeuta que tenha exercido a profissão por tempo suficiente para gerar um bom número de ex-pacientes felizes e saudáveis. Se você puder, converse com alguns desses pacientes. Pergunte quão eficaz e confortável foi a experiência deles e se recomendariam-no para outras pessoas. Pense duas vezes antes de consultar terapeutas que pareçam inexperientes ou não tenham provas de sucesso.
    • Método de tratamento. A maioria dos terapeutas respeitáveis utiliza técnicas modernas e científicas, que foram submetidas à análise de outros colegas em publicações médicas renomadas. No entanto, métodos holísticos e alternativos vêm sendo pesquisados e funcionam muito bem para algumas pessoas.
  3. Encontre-se com o terapeuta e discuta a acrofobia. Quando você encontrar um terapeuta que julgue adequado, agende uma consulta para saber se ele é realmente o profissional certo para você. Diferentes terapeutas podem adotar diferentes abordagens para enfrentar o medo. No entanto, em primeiro lugar, quase todos pedirão para você descrever o medo, perguntando por quanto tempo se sente assim, quaisquer problemas que o medo tenha causado, etc. Seja completamente honesto com o terapeuta. Quanto mais informações você puder fornecer, mais fácil será o tratamento.
    • Além disso, lembre-se de informar o terapeuta sobre quaisquer técnicas que estejam ou não funcionando.
  4. Aprenda técnicas de controle da ansiedade. Você provavelmente aprenderá a enfrentar e a controlar a ansiedade. O objetivo dessas técnicas não é eliminar a ansiedade, apenas torná-la mais gerenciável. Com a ajuda do terapeuta, você aprenderá a lidar de forma diferente com a ansiedade e começará a controlar os pensamentos e sentimentos. Eventualmente, você ficará mais em paz com o que pode e o que precisa aprender a aceitar.
  5. Experimente a terapia de exposição gradual. Uma das formas com que alguns (mas não todos) terapeutas abordam as fobias é dessensibilizando os pacientes — aumentando gradualmente a exposição aos estímulos que causam o medo, começando com experiências relativamente pequenas e aumentando a sensação lentamente, para que o paciente desenvolva uma tolerância. Por exemplo, talvez você apenas imagine-se na borda de um precipício. Então, quando esse pensamento tornar-se gerenciável, você poderá olhar para uma foto tirada a partir de um local muito alto. Nos últimos anos, a realidade virtual vem oferecendo muitas possibilidades interessantes aos terapeutas, permitindo aos pacientes que superem o medo de altura gradualmente e em um ambiente controlado, de forma totalmente segura.
    • Eventualmente, quando o paciente apresentar um processo significativo, ele poderá voar em um avião ou fazer qualquer outra coisa que antes causaria um grande temor.
  6. Esteja preparado para fazer a lição de casa. Muitos terapeutas fornecerão textos que você deverá ler em casa e exercícios para reforçar as técnicas físicas e mentais ensinadas na terapia. Você deverá desafiar os próprios padrões de pensamento negativo e trabalhar diariamente nas estratégias de enfrentamento.
    • A lição de casa poderá incluir atividades como exercícios respiratórios, experimentos mentais, entre outras.

Tratando a acrofobia com medicamentos

  1. Encontre um médico ou psiquiatra familiarizado com a prescrição de medicamentos para transtornos fóbico-ansiosos. É importante escolher um médico especializado em seu problema. Se você não conhecer nenhum médico ou psiquiatra que prescreva medicamentos para fobias, uma boa forma de começar a procurar é contatando o médico da família. Provavelmente, ele poderá encaminhá-lo para um colega de confiança.
    • Compreenda que os tratamentos baseadas em medicamentos não resolverão o problema psicológico subjacente responsável pela acrofobia. No entanto, eles poderão tornar a vida muito mais fácil, aliviando a ansiedade e permitindo que relaxe.
    • Considere o uso de medicamentos e tratamentos alternativos e naturais. Eles podem incluir a acupuntura, a meditação ou o tratamento com óleos essenciais. Converse com seu médico antes de tentar um destes métodos.
  2. Converse abertamente com o médico. Se você estiver em busca de medicação para a acrofobia, a comunicação é fundamental. Descrever os sintomas da forma mais clara e completa possível ajudará o médico a tomar uma decisão a respeito das possíveis opções de tratamento. Compartilhe os sintomas abertamente e deixe o médico ajudá-lo.
  3. Pesquise os medicamentos disponíveis tanto quanto for possível. Nem todos os médicos estarão familiarizado com todos os medicamentos disponíveis para o tratamento de acrofobia, portanto você pode pesquisar esses remédios por conta própria. Compartilhe qualquer preocupação com o médico e permita que ele forneça uma opinião útil. Muitas drogas apresentam efeitos colaterais negativos e não há nada errado em decidir que eles superam os benefícios. Aqui estão alguns dos tipos mais comuns de medicamentos que o médico poderá prescrever:
    • Antidepressivos, como Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) e Inibidores Seletivos da Recaptação da Noradrelina (ISRN), são drogas que agem para aumentar os níveis de certos neurotransmissores responsáveis pela regulação do humor.
    • As benzodiazepinas são medicamentos psicoativos de ação rápida que podem ser úteis no alívio a curto prazo da ansiedade. Embora eficazes a curto prazo, as benzodiazepinas podem viciar.
    • Os betabloqueadores bloqueiam os receptores da noradrenalina. Esse medicamento é útil principalmente no alívio dos sintomas físicos de ansiedade, como tremores ou batimento cardíaco acelerado.
  4. Procure tratamento para doenças dos sistemas vestibular e visual. Embora a causa da acrofobia não seja totalmente compreendida, estudos sugerem que ela pode estar relacionada à forma como o corpo interpreta estímulos visuais e espaciais através do sistema vestibular e dos olhos. Em alguns pacientes, a acrofobia pode resultar da incapacidade de perceber sinais visuais e espaciais em grandes alturas, onde a importância dessas informações é muito grande. Isso pode fazer com que os doentes sintam-se tontos ou desorientado e julguem incorretamente as posições dos próprios corpos no espaço.
    • Nesse caso, a acrofobia poderia ter uma causa fisiológica em vez de psicológica, portanto converse com seu médico. Você poderá ser encaminhado para um médico especialista que explicará as causas físicas desse medo.
  5. Considere todas as opções. Em alguns casos, especialmente quando os tratamentos tradicionais não estão funcionando, você poderá buscar abordagens rotuladas como "alternativas", "complementares" ou "integrativas". Essas abordagens não funcionam para todo mundo, mas têm demonstrado eficácia sob determinadas condições. Elas podem incluir formas de tratamento tão diversas como a acupuntura, exercícios de integração corpo-mente que aumentam a resposta de relaxamento, a imaginação guiada que envolve a mente no processo de cura, o EMDR (do inglês, Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) e o biofeedback.
    • Assim como acontece na maioria dos tratamentos, é sempre uma boa ideia consultar um médico de confiança antes de iniciar qualquer forma de tratamento intensivo.

Evitando mitos prejudiciais

  1. Não "se jogue ". As pessoas costumam ouvir que devem enfrentar os medos fazendo algo que normalmente as aterrorizaria. Para alguém que sofre de medo de altura, isso pode significar andar de montanha-russa, saltar de paraquedas ou ficar à beira de um precipício. Pesquisas recentes demonstram que a acrofobia é uma condição inata, em vez de adquirida, portanto forçar uma pessoa que sofre com o problema a "se jogar" pode não ter efeito algum. Isso poderá até mesmo piorar o medo.
    • Mais pesquisas são necessárias para encontrar uma causa definitiva para a acrofobia. Até que o medo seja totalmente compreendido, não é uma boa ideia expor os pacientes a alturas extremas sem antes tratar o medo com terapia, medicação, etc.
  2. Não tolere a acrofobia. Se o medo de altura o impedir de trabalhar, relaxar ou fazer as coisas que ama, esta é uma condição real e não deve ser tolerada. "Ser forte" ou "lidar com isso" não são boas estratégias para conviver com uma fobia real. Se você tentar esconder o medo e fingir ser forte, poderá acabar causando um estresse extremo e tomando decisões ruins.
    • Você é mais forte do que imagina. Demonstre sua força procurando um tratamento de verdade. Consulte um médico, psiquiatra ou terapeuta experiente para começar a superar esse medo.

Dicas

  • Tente saltar de um trampolim em uma piscina local, começando no nível mais baixo e subindo gradualmente.
  • Tente encontrar outras pessoas que sofram de acrofobia. Fazer parte de uma comunidade pode oferecer algum consolo, além de apresentá-lo a novos recursos e ideias que talvez você não viesse a considerar por conta própria.
  • Quando você estiver em uma varanda ou olhando através da janela de um edifício alto, aprecie a beleza da vista.
  • Geralmente, é muito mais fácil pensar em relaxar do que conseguir relaxar de verdade. No entanto, isso é algo que você deve, pelo menos, "tentar" fazer quando enfrentar o medo. Respire fundo e encontre algo positivo ou bonito na experiência, no qual possa concentrar-se.
  • Se você estiver em uma varanda ou espaço aberto do qual possa cair, não se incline para a frente para olhar para baixo. Isso o deixará ansioso e é perigoso. Em vez disso, segure-se nas grades ou cercas para adquirir um sentimento de segurança.
  • Converse com pessoas que trabalhem em alturas elevadas todos os dias. Alguns exemplos incluem limpadores de janela, trabalhadores da construção, podadores de árvores, instaladores de linhas elétricas, pilotos, alpinistas, operadores de guindastes, etc.
  • Faça algumas atividades em casa que o forçarão a acostumar-se gradualmente com a altura:
    • Suba em uma árvore com o auxílio de alguém que fique de olho para que você não se machuque.
    • Suba uma escada de corda com bastante preenchimento na base. Cada vez que subir essa escada, aumente um pouco a altura.
    • Balance em uma corda presa à uma árvore alta e pule na água, se possível.
  • Uma forma fácil de lidar com a acrofobia é pensar que você está no chão, não em um lugar alto.
Information
Users of Guests are not allowed to comment this publication.