Como Viver Com a Síndrome de Asperger e Desenvolver Habilidades Sociais

Viver com a síndrome de Asperger pode ser descrito como ter nascido no planeta errado. Pessoas que tem esta doença exibem uma concentração muito intensa, e uma dificuldade de lidar com interações sociais. Este artigo irá ajudá-lo a conviver e interagir bem com os outros.

Passos

  1. Consulte um psicólogo ou psiquiatra para ajudá-lo. Eles podem desenvolver um tratamento que o auxiliará em sua vida diária. Tente escolher um terapeuta especializado em autismo, para garantir que você seja tratado pelo profissional mais capacitado possível.
    • Para saber mais sobre o autismo e terapias, consulte o trabalho de blogueiros autistas.
  2. Certifique-se de que seu terapeuta conheça quaisquer outras questões que influenciam no desafio de lidar com a síndrome de Asperger. Por exemplo, se você sofre de depressão, peça a seu terapeuta para ajudá-lo com isso também.
    • Condições comórbidas frequentes incluem ansiedade, depressão, epilepsia, transtorno de processamento sensorial e raiva. Você também pode ter síndrome do estresse pós traumático, caso tenha sido colocado em um tipo abusivo de terapia quando criança. Se você acha que tem algum dos problemas acima, peça para ser examinado.
  3. Use o plano de tratamento para desenvolver habilidades sociais. Pratique conversar com pessoas em diferentes situações sociais.
  4. Encontre recursos que possam ajudá-lo a desenvolver habilidades sociais. Seu terapeuta pode lhe fornecer aconselhamento, há livros para ler sobre habilidades sociais, e você ainda pode encontrar muita informação online. Trabalhe com o que funcionar melhor para você.
    • Muitos programas de TV, especialmente desenhos animados, ensinam algum tipo de lição social em cada episódio. (por exemplo, um casal que briga em um episódio de uma série, pode acabar aprendendo a importância da comunicação). Assista televisão, e descubra o que você aprendeu ao final de cada episódio.
    • Algumas pessoas autistas compartilham conselhos online. Sites como o Realsocialskills.com podem lhe ensinar muito sobre interação e auto-defesa.
  5. Aprenda quando é apropriado tocar as pessoas. Pratique o que aprendeu, e procure seguir as recomendações do seu especialista.
  6. Descubra quais aspectos específicos da síndrome lhe causam mais problemas, e procure contorná-los.
  7. Ao interagir com outras pessoas, procure ouvir 70% do tempo e falar 30%. Tente não dominar a conversa por mais da metade do tempo, ou falar ininterruptamente por mais do que 5 minutos (a menos que a outra parte esteja realmente imersa em sua resposta, e participando ativamente com outras perguntas). Deixe a outra pessoa ditar o ritmo da conversa.
  8. Mostre interesse por outras pessoas. Isso faz com que elas se sintam valorizadas.
    • Quando alguém se apresentar, repita o nome mentalmente. Use esta informação no futuro, para mostrar que você se lembra da conversa que vocês tiveram.
    • Lembre-se dos gostos da pessoa com quem você está conversando: hobbies, comidas preferidas, lugares para sair etc. Isso leva a boas atividades e boas conversas. Por exemplo, se você conheceu uma mulher que adora robótica, fale sobre alguma reportagem que você assistiu sobre o assunto. Ela ficará satisfeita por você ter lembrado.
    • Descubra coisas em comum e converse sobre elas. Talvez ambos já tenham viajado para a Alemanha, ou já fizeram curso de artesanato.
    • Assim que souber a data do aniversário de uma pessoa, bem como outras datas importantes, anote a informação. Marque as datas no seu calendário, de modo que você saiba quando algo importante estiver chegando.
    • Ouça atentamente o que as outras pessoas têm a dizer. Faça contato visual (ou, ao menos, olhe na direção da pessoa), gesticule e faça perguntas. As pessoas adoram isso.
  9. Memorize o comportamento de uma pessoa quando ela está chateada. Pessoas tristes juntam as sobrancelhas, enrijecem sua expressão facial e evitam contato visual. Elas podem fungar ou secar os olhos discretamente.
    • Pergunte à pessoa se ela está chateada, e se você pode fazer algo para ajudar. Caso ela esteja chorando, ofereça um lenço.
    • Se você é responsável pela pessoa ter ficado triste, peça desculpas imediatamente. Não há problema em dizer que você é autista, afim de justificar um erro específico e esclarecer que você não queria entristecer ninguém. Feito isso, compense a pessoa; dê um abraço, pague um jantar, leve-a para passar um tempo em algum lugar divertido etc.
  10. Junte-se a atividades relacionadas a algo que o interesse. Desta forma, você encontra outras pessoas que compartilham dos mesmos gostos.
  11. Não tenha medo de tentar novas atividades. Você pode acabar aprendendo a apreciar algo novo, o que lhe dará uma nova oportunidade de conhecer pessoas e expandir seus horizontes.
  12. Faça contato visual, mas sem encarar. A melhor maneira de fazer isso é olhar para o olho direito da pessoa, e depois alternar para o esquerdo.
    • Se está difícil fazer contato visual, não se preocupe. Em vez disso, você pode tentar olhar para a boca, cabelo, mãos, ou simplesmente na direção da pessoa. Alguns preferem olhar para os ombros, vislumbrando ocasionalmente o rosto. A maioria das pessoas não se importa com isso.
    • Sentar-se lado a lado com outra pessoa diminui a importância do contato visual.
  13. Lembre-se, algumas agências oferecem suporte e atendimento especial para autistas. Procure por sites como o Meetup, o Craigslist e organizações para autistas em sua área. Você encontrará bons lugares para fazer amigos e praticar suas habilidades sociais.
  14. Considere se juntar a uma organização dirigida por pessoas autistas. Você pode conhecer outras pessoas em um ambiente livre de pressão, visando trabalhar em favor da inclusão e aceitação dos autistas. O voluntariado pode ser uma experiência incrivelmente positiva.
  15. Não seja duro consigo mesmo. Todos cometem erros sociais às vezes. Lembre-se apenas de pensar antes de agir, e tudo dará certo.

Dicas

  • Visto que você nem sempre compreende os sentimentos dos outros, seria inteligente perguntar se uma pessoa tem tempo ou interesse de ouvir o que você tem a dizer, antes de iniciar uma discussão que envolva alguns dos seus assuntos favoritos.
  • Aprender habilidades de auto-defesa é muito importante. Como os autistas são naturalmente mais propensas a confiar nas pessoas, você pode acabar sendo alvo de bullying ou abuso.
  • Às vezes, quando uma pessoa está falando sobre algum problema, tudo que ela quer é ser ouvida. Em vez de tentar resolver qualquer coisa, pergunte como ela se sente sobre o problema, e o que já tentou para resolvê-lo. Isso mostra que você respeita a capacidade que a outra pessoa tem de resolver seus próprios problemas. Se você quiser oferecer alguma sugestão, pergunte se não há problema em fazer isso.
  • Lembre-se da diferença entre as verdades que se diz, e as que se guarda para si. Por exemplo, se sua namorada cozinhou algo que ficou com um gosto horrível, pode ser uma boa não expressar exatamente isso.
  • Evite assuntos pessoais. A menos que a outra pessoa tenha mostrado um desejo de falar sobre determinados assuntos, não se deve abordá-los.

Avisos

  • Há muitos conselhos ruins sobre interações sociais. Nem sempre é uma boa ideia seguir determinadas recomendações. Se você ficar em dúvida, converse com um conselheiro, membro da família ou amigo de confiança.
  • Aprenda a diferença entre uma terapia útil e uma terapia abusiva. Se o seu terapeuta pressioná-lo a fazer algo desagradável, ou fazê-lo se sentir mal de alguma forma, é provável que algo esteja errado. Existe muita informação online sobre como se defender deste tipo de profissional.
Information
Users of Guests are not allowed to comment this publication.