Como Lidar com Ataques de Pânico (Crianças e Adolescentes)

Você fica muito ansioso? Sente-se encurralado, como se quisesse correr, mas não consegue sair do lugar? Pode estar tendo um ataque de pânico. Essas crises são caracterizadas por uma forte sensação de medo, que costuma incluir problemas como dificuldades para respirar, tremores e suor no corpo ou engasgos. Elas são alarmantes e podem acontecer em qualquer local — encontros com amigos, durante os estudos ou até no trabalho. Felizmente, aprender a manter a calma durante o evento, adaptar a dieta e o nível de atividades e buscar ajuda profissional são estratégias que ajudam o paciente a retomar o autocontrole.

Acalmando-se durante um ataque

  1. Aprenda a interpretar os sinais. Quanto mais cedo reconhecê-los, menos fácil vai ser controlar a situação. Ataques de pânico podem ser causados por "catalisadores" repentinos, mas acontecem sob certo padrão e regularidade.
    • Quem sofre da síndrome do pânico costuma ter uma sensação de medo, perigo, ameaça à vida ou perda de controle, além de se sentir descolado (como se nada à sua volta fosse de verdade).
    • Como você se sente antes de um ataque? Aceleração dos batimentos cardíacos, suor, tremores, dificuldade de respirar e até calafrios ou tontura são alguns sinais comuns.
    • Muitas pessoas que sofrem com a síndrome do pânico têm outros problemas, como a claustrofobia (medo de lugares fechados).
  2. Fique imóvel. O pânico tem diversos "catalisadores": medo de ficar em lugares fechados, lembrar-se de algo assustador que ocorreu no passado ou até ver determinada pessoa. A primeira reação que vem à mente é fugir, mas, na maioria das vezes, o melhor a se fazer é ficar parado até que a crise passe.
    • Fique imóvel até que o ataque passe, a menos que seja perigoso. Se estiver num carro, peça que o motorista estacione.
    • Tentar fugir dos catalisadores pode levar à chamada "evasão fóbica", que pode ser nociva.
    • Quem tem muitos ataques de pânico costuma ser diagnosticado com agorafobia. No passado, esse problema era visto como medo de locais públicos; hoje, médicos o caracterizam como medo de ser atacado ou passar vergonha em público.
  3. Dedique sua atenção a outras coisas. Em vez de fugir, tenha em mente que o medo vai passar e concentre-se num objeto inofensivo ou visível, como itens de uma vitrine ou os ponteiros de um relógio, até que a situação melhore.
    • Se possível, recite algo de cabeça, como um poema favorito, um mantra ou a tabuada, para se distrair da crise.
    • Tente também imaginar algo calmo, como um lugar e/ou situação que o deixem calmo, relaxado e positivo — como a casa da sua avó, por exemplo.
  4. Reduza o ritmo da respiração, que fica rápida e rasa durante crises. Essa aceleração pode piorar a ansiedade. Acalme-se e respire fundo.
    • Para relaxar a mente e o corpo, inspire lentamente enquanto conta até quatro; depois, expire.
    • Respire fundo e com calma quando estiver relaxado para se acostumar à sensação.
  5. Imponha-se sobre seu medo — sem tentar combater o ataque. Diga a si mesmo que o pânico é temporário, que esse medo não é de verdade e que tudo vai passar, enquanto tenta descobrir o que causou a crise. Não se deixe abater. Acalme-se e respire fundo.
    • Não tente resistir à sensação de ansiedade, o que pode piorar o ataque.
    • Faça uma anotação mental para si mesmo: embora esteja sentindo algo desconfortável, nada vai machucá-lo.

Mudando seu estilo de vida

  1. Pratique atividades relaxantes. Se sofre ataques de pânico frequentes, pode ser difícil ficar à vontade. Assim, descubra algumas estratégias de relaxamento para reduzir a tensão e deixar as crises sob controle.
    • Sessões de massagem, yoga, aromaterapia e pilates podem aliviar a tensão física e relaxar o corpo e a mente.
    • Crianças mais jovens podem praticar atividades calmas e de que gostem: pintar, colorir, brincar fora de casa ou ler.
    • O chamado "relaxamento muscular progressivo" também pode dar certo; basta tensionar e soltar um músculo de cada vez, passando por todos os principais grupos musculares do corpo.
    • Se quiser, recorra a algum tipo de meditação, como técnicas de respiração regular e de concentração.
    • Pratique a técnica escolhida pelo menos uma ou duas vezes por dia para relaxar. Evite fazer algo do tipo logo antes ou depois de se alimentar, pois vai estar distraído pela sensação de fome ou saciedade.
  2. Saia do sofá. Pratique atividades físicas, principalmente exercícios aeróbicos, para ajudar o cérebro a secretar o hormônio serotonina, capaz de melhorar a sensação de bem-estar e o humor.
    • Exercícios aeróbicos, como correr, caminhar, andar de bicicleta e fazer natação, melhoram a frequência cardíaca. Faça pelo menos 150 minutos dessas atividades moderadas por semana.
    • Passe a praticar exercícios de treino de força, que trabalhem os principais grupos musculares, uma ou duas vezes por semana.
  3. Durma bastante. Sabia que um sono irregular provoca ansiedade e a falta de descanso deixa as pessoas irritadas, rabugentas e nervosas? Pesquisas apontam que manter um equilíbrio no descanso diário pode ajudar a reduzir transtornos relacionados à ansiedade.
    • Descanse bem! Crianças de 5 a 13 anos precisam de 9-11 horas de sono por noite, enquanto adolescentes precisam dormir 8,5-9 horas.
    • Se tiver ataques de pânico, reduza o consumo de produtos com cafeína, como café e refrigerantes. Eles não só desregulam o sono, mas também aumentam os níveis de estresse.
  4. Evite consumir álcool, cigarro e outras drogas. Esses hábitos são muito nocivos a crianças e adolescentes, e ficam ainda piores em quem tem síndrome do pânico. Tais substâncias mexem com o humor — ou seja, alteram o funcionamento do cérebro e o próprio emocional do indivíduo —, e não para melhor.
    • Evite qualquer tipo de droga. Quem tem transtornos de ansiedade fica duas ou três vezes mais propenso a desenvolver problemas de abuso de substâncias em relação a pessoas saudáveis.
    • Álcool e drogas não melhoram a situação; pelo contrário: tornam-na pior.

Pedindo ajuda

  1. Consulte um terapeuta ou afins. Se seu medo e ansiedade estiverem fora de controle, você pode precisar conversar com um profissional para entender mais os motivos do pânico, seus catalisadores e maneiras de reduzir e controlar os sintomas.
    • Converse com alguém na escola ou faculdade. Muitas instituições de ensino têm psicólogos de plantão que ajudam alunos a resolver problemas assim; basta marcar uma consulta.
    • Converse com um adulto de confiança, como seus pais, professores, parentes próximos ou outros funcionários da escola. Diga o que está acontecendo para que essa pessoa possa ajudá-lo a encontrar um terapeuta ou médico capaz de ajudar.
    • O terapeuta pode indicar a terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o seu caso. Assim, nas consultas regulares, você vai explorar os motivos dos ataques e aprender a se livrar de medos e ansiedades. A TCC também pode ensinar maneiras de enfrentar crises do futuro.
  2. Seja franco com os amigos. Talvez eles não percebam seus problemas com ansiedade e ataques de pânico. Fale sobre a situação — se gostarem mesmo de você, vão entender e ajudá-lo a controlar as crises.
    • Bons amigos ajudam uns aos outros em épocas difíceis. Além disso, se achar que pode (e pode ser que não ache), fale sobre o problema a colegas de escola ou trabalho.
    • Se seus amigos souberem dos ataques, também vão poder ajudá-lo durante as crises, acalmando-o e sendo presentes de maneira geral.
  3. Participe de um grupo de apoio. Muitas pessoas têm problemas parecidos com os seus e, às vezes, pode ser bom não ficar sozinho e aprender a enfrentar as crises em conjunto.
    • Tente encontrar grupos na área onde mora. Com sorte, há algo mais perto do que você imagina.
    • Grupos de apoio costumam ter reuniões presenciais, onde os membros podem discutir seus problemas cara a cara. Às vezes, esses encontros também podem ser escritos ou por telefone.
  4. Busque ajuda médica. Talvez você precise conversar com um profissional da saúde, mesmo que já faça terapia. Ele vai poder examinar o seu caso e prover opções alternativas de tratamentos, como o uso de ansiolíticos ou antidepressivos.
    • O médico pode, por exemplo, receitar inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): antidepressivos, como Fluoxetina.
    • Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina (ISRSN) e as benzodiazepinas são outras opções possíveis. Ao contrário dos ISRS, que são antidepressivos, os ISRSN são calmantes — e só devem ser usados em curto prazo ou emergências, já que são viciantes.
    • Todo medicamento tem efeitos colaterais. Consulte o médico e só consuma o que for receitado.
    • Lembre-se de que antidepressivos ISRS têm tarja preta, já que intensificam os riscos de o paciente ter pensamentos e comportamentos suicidas (principalmente adolescentes e jovens adultos de até 25 anos). Discuta esses riscos com o médico antes de aderir a um tratamento.

Dicas

  • Às vezes, o pânico age mais rapidamente do que se espera. Nesses casos, encontre algum conhecido (amigo, professor ou parente) e diga o que está acontecendo.
  • Tenha sempre consigo algo a que possa se ater durante ataques de pânico, como seu acessório favorito, uma borrachinha de cabelo amarrada no pulso etc. — qualquer objeto pequeno que traga certa sensação de controle.

Avisos

  • Alguns ataques de pânico podem ser muito sérios. Se eles forem intensos e frequentes, busque ajuda profissional sem delongas.
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