Como Chutar uma Bola de Futebol (para Jogadores Novos)

Quantas vezes já escutamos os treinadores e os pais gritarem? “Chuta com o peito do pé, não com o dedão.” Parece uma tarefa fácil, mas você deve entender que você está tentando modificar a evolução de uma criança. É por isso que muitos têm dificuldades com essa tarefa aparentemente simples. Esse artigo explica como conseguir completar essa tarefa.

Passos

  1. Entenda que isso afeta diversas faixas etárias. Enquanto muitos pensam que esse é um problema apenas para os jogadores muito novos, de 5 a 9 anos, já vimos que esse problema acontece também com jogadores de 13 a 16 anos. Um dos benefícios de nossas pesquisas enquanto criávamos o “Blast The Ball™” é que pudemos trabalhar com jogadores de vários níveis e de vários lugares do mundo. As descobertas “nem tão chocantes” para nós podem te surpreender. Existem jogadores de futebol nos níveis mais avançados que não conseguem executar todos os tipos de chutes corretamente. Se conseguem, normalmente não conseguem com os dois pés. Entender a forma exata e correta é essencial para o desenvolvimento de jogadores avançados. Curar o chute dedão é normalmente o primeiro passo.
  2. Invista tempo no aprendizado dos motivos por trás disso. É bastante fácil entender, se você investir um pouco de tempo para estudar a progressão, a causa e a cura. Levamos 18 meses para estudar todas as fases do chute de futebol, desde jogadores com 6 anos de idade até os jogadores profissionais. Quando filmamos essa “evolução”, pudemos assisti-la em câmera lenta, e assim ficou evidente o porquê chutamos com o dedão e quais são os passos para curar isso.
    • Primeiro entenda como começamos a chutar uma bola. Jogadores muito novos não entram em um “modo de chute”. Eles simplesmente correm atrás da bola e quando acham que estão perto o suficiente, ou seus pés fazem contato com a bola, eles “empurram” a perna para chutar. Estão só tentando forçar a perna para frente, de forma que mova a bola. Nesse estágio, não existe um “pensamento prévio” em relação ao chute. (Essa poderia ser chamada de fase da ‘colisão’). Chutar a bola é apenas um pensamento que se combina com a corrida do jogador.
    • Com o passar do tempo, os jogadores aprendem que quando mais forte eles “empurrarem” o chute, mais longe a bola vai. Isso parece lindo aos olhos deles, mas inicia um hábito que é difícil de curar. Alguns “empurram” tão forte que chegam a cair no chão depois de um chute.
  3. Perceba uma outra razão para um chute de dedão. É a posição natural do pé. Quando corremos ou caminhamos, nossos pés mudam de posição. Ao final de nossos passos, nosso dedão aponta naturalmente para baixo, pois acabamos de “empurrar” a bola com nosso pé, ou dedão. Enquanto nosso pé vem para a frente quando caminhamos ou corremos, o dedão naturalmente volta a apontar para a frente.
  4. Peça para alguém caminhar um pouco. Concentre-se na posição dos pés dele ao final de cada passo, e veja como os pés vem para a frente. O dedão naturalmente vem para a frente e para cima. Depois peça para ele caminhar ou correr um pouco com o dedão apontando para baixo o maior tempo possível. O resultado é uma criança ou um adulto “na ponta dos pés” pela sala, como uma bailarina. O problema é que essa “posição não natural” é exatamente o que estamos pedindo para eles fazerem quando dizemos para chutarem com o peito do pé.
  5. Faça um pequeno teste para você mesmo. Note que apenas adultos devem fazer isso. Chute com o dedão. Sim, chute errado. Deixe que seu pé balance naturalmente, como se estivesse caminhando ou correndo devagarinho. Seu pé se mantém bem pertinho do chão. Agora, “sem mudar mais nada”, aponte o seu dedão para o chão e balance sua perna novamente. Se você fez isso da maneira correta, você deve estar esbravejando. Você deve estar segurando seu pé, pois seu dedão bateu no chão ao balançar a perna e você machucou seriamente os músculos da parte de cima de seu pé. Não se preocupe. Vai inchar um pouquinho e você vai mancar pelos próximos 4 dias, mas ei, se pedimos para nossas crianças fazerem isso, por que não tentarmos nós mesmos? Então como começamos a ensinar esse movimento “não natural”? Criamos o vídeo e o programa de pesquisa “Blast The Ball™” porque muito desse processo é difícil de descrever com palavras. Mas vamos tentar.
  6. Tenha paciência. Esse movimento não natural, ou mudança, leva tempo. Você vai praticar e vai ficar bom. Depois, na hora do jogo, a criança vai voltar ao movimento que é instintivo. Com o tempo, o novo chute vai se tornar uma memória muscular ou instintiva.
  7. Comece pedindo para a criança se aproximar da bolar. A maioria dos jogadores jovens coloca a planta do pé exatamente atrás da bola. Isso faz com que a bola seja atingida quando o pé está “subindo”, naturalmente sendo chutada pelo dedão. Ao pedir para eles colocarem o pé ao lado da bola, ou até mesmo um pouco depois da bola faz com que a ela esteja mais atrás no movimento da perna.
  8. Pratique a carga da perna. Temos uma seção inteira dedicada ao “pulinho do futebol” no “Blast The Ball™”. É o pequeno pulo ou passada grande logo antes de chutar uma bola de futebol. Assim como em qualquer esporte como baseball, golfe, tênis etc., quando você está se preparando para acertar a bola, você antes deve carregar a batida. A sua perna inteira vai ir para trás. Se você reparar nos profissionais com os chutes mais potentes, a sola dos pés deles quase encosta em suas costas quando vão carregar o chute. Agora, em vez de “empurrar”, estamos preparando para soltar e chutar.
  9. Encurte a perna que chuta. Não, não com cirurgia, mas mantendo a posição em “V” da perna durante todo o processo. Quando nossa perna está carregando para chutar e começando a ir para frente, existe uma forte posição em “V”. Queremos que os jogadores mantenham esse “V” durante todo o chute. Fique de pé com os dois pés juntos. Erga o quadril um pouco no lado da perna que chuta, e depois dobre o joelho levemente. Você deve fazer ambos. Você vai perceber que se você manter essa posição, você pode apontar seu dedão para baixo e balançar sua perna para trás e para frente. Seu dedão não vai acertar o chão. Ao passo que a forma e o tamanho do “V” vão mudar durante o chute, eles nunca devem desaparecer totalmente. (Sem manter a perna reta).
  10. Comece com uma abordagem angulada. Ensinamos os vários estilos de chutes corretos. Um deles é o chute direto, que não tem nenhuma angulação ou balanço de perna “firulado”. Com o chute direto, a bola É atingida pelo peito do pé. No entanto, o chute angulado tem uma aproximação com ângulo e a perna vai balançar e girar durante o processo. Esse arqueamento angulado permite que o dedâo esteja apontando levemente “para fora”, exigindo menos “encurtamento” da perna e diminuindo as chances de machucar o pé. Ao trabalhar com jogadores novos, o chute angulado é ensinado antes.
  11. Aprenda as partes do pé. Quando usamos o chute angulado, na verdade NÃO estamos chutando com o “peito do pé”. Estamos chutando a bola com o “primeiro metatarso”. Em termos simples, esse é o osso logo acima das “juntas” do dedão”. Esse é o maior osso do pé, e quando o tornozelo está fixo, uma grande força de impacto é criada.
  12. Aprenda a acertar a bola apenas na esquerda ou no centro. (Para jogadores destros). Isso se aplica ao chute angulado porque estamos nos aproximando da bola com um ângulo. Acertar a bola no centro vai fazer com que o impacto seja mais como uma pancada na “orelha” da bola, gerando um forte efeito lateral.

Dicas

  • Um dos pontos mais importantes ao trabalhar com jovens jogadores é iniciá-los em câmera lenta. Uma criança só quer fazer uma coisa: chutar forte. Forçá-los a chutar devagarinho e com cuidado é muito difícil. É recomendável que você comece esse exercício chutando contra uma parede. Se você colocá-los a cerca de 2m de distância da parede, eles vão ter medo de que a bola volte e os acerte. Isso vai forçá-los a chutar mais fraco. Além disso, se eles chutarem muito forte, eles terão de correr atrás da bola. Não comece esse processo a 16m das traves. O instinto deles de chutar forte para a rede vai forçá-los a focar na força.
  • Planeje esse processo para levar cerca de 6 a 12 meses, dependendo da idade da criança. Faça-os praticarem os movimentos várias vezes por semana. Com o tempo, isso vai se tornar o instinto, em vez de o “não natural”. Tenha paciência e siga treinando.

Avisos

  • Sempre inicie o processo do chute em câmera LENTA. É muito fácil distender a parte de cima do pé.
Information
Users of Guests are not allowed to comment this publication.