Como Curar a Lepra

A lepra, também conhecida como hanseníase, é uma doença bacteriana que pode causar lesões na pele, desfiguração, danos aos nervos e olhos, além de vários outros problemas. Felizmente, a doença pode ser tratada através de medicamentos; quando o procedimento for feito corretamente, indivíduos com hanseníase podem viver normalmente e se recuperar dos efeitos da doença.

Procurando tratamento

  1. Assim que possível, procure tratamento. A lepra pode ser combatida através de medicamentos, permitindo que os pacientes continuem vivendo normalmente após a erradicação do problema. A doença é levemente contagiosa ao não ser tratada, e assim que o paciente estiver consumindo os remédios, ele não poderá mais contagiar outras pessoas. No entanto, ao não ser tratada, a hanseníase pode causar consequências graves nos membros (pés e mãos), na pele, nos olhos e nos nervos.
  2. Tome cuidado para não espalhar a doença. A lepra possui poucas chances de contágio ao não ser tratada, mas pode ser espalhada através do ar, como ao tossir ou espirrar. Lembre-se de cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, evitando que gotículas do ar contaminem outras pessoas, ao menos até consultar um médico e iniciar o tratamento.
  3. O médico deverá determinar o tipo de lepra do paciente. Às vezes, a doença se manifesta apenas através de lesões da pele, enquanto em outros casos ela ataca de forma mais severa. O plano de tratamento em particular depende do tipo da hanseníase, que deverá ser diagnosticado pelo médico.
    • A lepra pode ser paucibacilar ou multibacilar (uma forma mais grave).
    • Além disso, o caso é classificado como tuberculoso ou lepromatoso. Esse último é mais grave, causando o aparecimento de grandes saliências e nódulos na pele.
  4. Submeta-se a um tratamento MDT (múltiplos medicamentos) recomendado pelo médico. Vários antibióticos – geralmente uma combinação de dapsona, rifampicina e clofazimina – serão prescritos para combater a hanseníase. Eles atacarão a bactéria que causa a doença (Mycobacterium leprae) e curarão o paciente. O médico receitará remédios de acordo com o seu caso de lepra.
    • A Organização Mundial da Saúde (OMS) fornece gratuitamente o tratamento MDT para pacientes de todo o mundo através do Ministério da Saúde, sendo administradas, no Brasil, através das Unidades Básicas de Saúde.
    • Ao começar a tomar os medicamentos, não há mais como contaminar outras pessoas. Não é necessária a quarentena do paciente.
    • Doses diárias ou mensais de dapsona, rifampicina e clofazimina poderão ser receitadas por até 24 meses em muitos dos casos de hanseníase.
    • Se a doença se manifestar apenas na forma de lesões de pele, os pacientes poderão ter que tomar o medicamento para tratamento durante seis meses.
    • No Brasil, os casos multibacilários são tratados por um ano, enquanto a lepra paucibacilar é combatida por seis meses.
    • Quando a hanseníase surge apenas na forma de uma lesão de pele, o paciente poderá tratá-la com uma única dose de dapsona, rifampicina e clofazimina.
    • Múltiplos tratamentos poderão ser necessários para erradicar contaminações multibacilares.
    • É raro ocorrer resistência a esses medicamentos.
    • Na maioria dos casos, os efeitos adversos de tais medicamentos são leves. Consulte um médico no caso de dúvidas.

Lidando com os sintomas e a recuperação

  1. Consuma antibióticos. Continue tomando os antibióticos receitados pelo médico, seguindo à risca a dosagem e o tempo de administração. A chance de a doença voltar ao consumi-los de forma equivocada é grande.
  2. Monitore o progresso e fique de olho em efeitos colaterais e complicações. Ao notar mudanças em sua condição, sofrer com dores e outros problemas, volte ao médico. Pacientes com lepra são especialmente suscetíveis às complicações à seguir:
    • Neurite, neuropatias silenciosas (danos nervosos sem dor), dores, sensações de formigamento, queimação e dormência repentina poderão ocorrer. O tratamento é feito através de corticosteroides; se não houver combate a tais complicações, o paciente poderá sofrer lesões permanentes e perda de função.
    • A iridociclite ou inflamação da íris dos olhos também pode ocorrer. Se isso surgir, é necessário consultar um especialista oftalmológico imediatamente. O tratamento é simples, através de colírios especiais, mas a demora pode causar danos permanentes.
    • A orquite ou inflamação dos testículos também é outra possível complicação. O tratamento é feito através de corticosteroides, mas deve ser realizado rapidamente, já que isso pode causar esterilidade.
    • Úlceras nos pés são outras possíveis complicações da hanseníase. O médico deverá desenvolver um plano de tratamento para reduzir o problema através de curativos para as lesões, calçados especiais e talas.
    • O dano nervoso e problemas dermatológicos associados com a lepra podem levar à desfiguração e perda de função nas mãos e pés. O médico poderá desenvolver estratégias para evitar ou controlar tais sintomas, que são específicos a cada caso.
  3. Tenha cuidado e evite contusões. A hanseníase pode causar dormência; se isso ocorrer, o paciente poderá sequer notar que o local dormente está sendo lesionado devido à ausência de sensações. Tenha muito cuidado para evitar lesões, como queimaduras e cortes em áreas afetadas.
    • Usar luvas ou calçados especiais poderá proteger o paciente que sofre de dormência nas extremidades.
  4. Continue indo ao médico. Ele deverá analisar e monitorar o seu progresso, anotando quaisquer sintomas que surgirem. Não esqueça de esclarecer com ele qualquer dúvida que possuir.

Dicas

  • Ligue para seu convênio para saber mais diagnósticos e tratamento da lepra. A ONG Morhan também pode auxiliar com informações sobre a doença.
  • A maioria da população (cerca de 95%) não pode ser infectada pela bactéria que causa a hanseníase.
  • Os tatus podem carregar a lepra. Não se aproxime deles, em especial ao viver nos seguintes estados: Mato Grosso, Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás e Rondônia.
  • Há algum tempo, a lepra era considerada altamente contagiosa; os leprosos eram estigmatizados e colocados sob quarentena. Apesar de várias provas indicarem que a hanseníase não é contagiosa após ser tratada, ainda há muita rejeição em relação a pessoas com a doença. Procure apoio de familiares, amigos e profissionais médicos ao se sentir ansioso.
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