Como Lidar com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é caracterizado por medos ou obsessões irracionais que levam uma pessoa a adotar comportamentos compulsivos para minimizar ou aliviar a ansiedade. A gravidade do TOC pode variar de leve a grave, e o transtorno também pode ser acompanhado por outros problemas de saúde mental. Lidar com o TOC pode ser muito difícil, principalmente quando não buscamos ajuda profissional. Os psiquiatras utilizam diferentes tipos de terapia e de medicamentos para tratar esse transtorno, e as pessoas que sofrem com o problema também podem tomar algumas medidas para lidar com ele, como escrever em um diário, participar de um grupo de apoio e usar técnicas de relaxamento. Procure um profissional de saúde mental caso você suspeite que sofra com o transtorno obsessivo-compulsivo e continue lendo para aprender mais sobre como lidar com ele.

Buscando ajuda

  1. Busque um diagnóstico profissional. Mesmo que você suspeite que tenha TOC, nunca tente se autodiagnosticar. Os diagnósticos psiquiátricos são muito complexos e devem ser realizados por profissionais, com o objetivo de ajudar seus pacientes.
    • Agende uma consulta com um psicólogo ou profissional de saúde mental se você não conseguir lidar com os problemas relacionados à obsessão ou à compulsão por conta própria, assim você receberá um diagnóstico e o tratamento adequado.
    • Solicite um encaminhamento do seu médico se não souber ao certo por onde começar.
  2. Considere participar de sessões de psicoterapia. Na psicoterapia voltada para o tratamento do TOC, você frequentará consultas regulares para conversar com um terapeuta a respeito das suas obsessões, ansiedades e compulsões. Embora, talvez, a psicoterapia não seja capaz de curar o transtorno obsessivo-compulsivo, ela poderá ser um meio eficaz de lidar com seus sintomas e torná-los menos perceptíveis. A terapia consegue curar cerca de 10% dos casos, mas causa uma melhora dos sintomas em 50% a 80% dos pacientes. Os terapeutas e conselheiros usam técnicas diferentes no tratamento dos pacientes com TOC.
    • Alguns terapeutas são adeptos da terapia de exposição, na qual o paciente é gradualmente exposto às condições que mais causam ansiedade, como não lavar as mãos após encostar em uma maçaneta. O terapeuta trabalhará junto com o paciente até que a ansiedade relacionada ao problema comece a diminuir.
    • Alguns terapeutas utilizam a exposição imaginária, na qual pequenas narrativas simulam circunstâncias que causam muita ansiedade para o paciente. O objetivo da técnica é ensinar os pacientes a controlarem a ansiedade associada a uma determinada situação e torná-los menos sensíveis às causas dessa ansiedade.
  3. Considere o uso de medicamentos prescritos. Existem vários remédios comprovadamente eficazes no tratamento de pensamentos obsessivos de curto prazo ou de comportamentos compulsivos associados ao TOC. Tenha em mente que tais medicamentos aliviam os sintomas, mas não curam a doença; o tratamento ideal para o TOC é a combinação da terapia medicamentosa com a psicoterapia. Alguns desses medicamentos incluem:
    • Clomipramina (Anafranil).
    • Fluvoxamina (Luvox).
    • Fluoxetina (Prozac).
    • Paroxetina (Pondera, Paxil CR).
    • Sertralina (Zoloft).
  4. Crie uma forte rede de apoio para ajudá-lo a lidar com o transtorno. Embora muitas pessoas acreditem que o TOC seja um problema causado unicamente pelo cérebro disfuncional de um indivíduo, é importante termos em mente que, muitas vezes, o início do TOC é precedido por um evento traumático, ou até mesmo por uma série de situações particularmente estressantes. Passar por experiências como a morte de um ente querido, a perda de um emprego importante ou o diagnóstico de uma doença que represente risco de vida são circunstâncias que podem causar estresse e ansiedade. Em algumas pessoas, esses sentimentos causam um aumento no desejo de controlar certos aspectos da vida que possam parecer insignificantes para os outros.
    • Esforce-se para desenvolver uma forte rede de apoio social, na qual suas experiências passadas receberão o respeito merecido.
    • Envolva-se com pessoas solidárias. Estudos demonstram que receber o apoio de um grupo de pessoas é importante para o cultivo da nossa saúde mental geral.
    • Encontre formas de passar tanto tempo quanto for possível com seus entes queridos. Considere frequentar um grupo de apoio para pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo se você sentir que não recebe apoio suficiente dentro do seu círculo social. Essas reuniões costumam ser gratuitas e podem ser uma ótima oportunidade para começar a falar sobre o problema com outras pessoas que poderão oferecer apoio e entender um pouco do que você está enfrentando.

Controlando o TOC e mantendo uma mentalidade positiva

  1. Lide com as causas do problema. Obrigue-se a começar a prestar atenção redobrada nas situações que normalmente o deixam obcecado. Pequenos truques poderão ajudá-lo a se sentir mais no controle dessas situações, e isso pode ser tudo o que você precisa para desafiar os padrões responsáveis pelo estresse.
    • Por exemplo, caso você se preocupe constantemente se desligou ou não o fogão, crie uma imagem mental de si mesmo desligando o fogo, sempre que fizer isso. A imagem mental deverá ajudá-lo a lembrar que você realmente desligou o fogão.
    • Se a imagem mental não funcionar, tente manter um bloco de papel ao lado do fogão e escrever uma nota para si mesmo cada vez que desligá-lo.
  2. Tenha um diário para escrever sobre os sentimentos. Um diário é uma ótima ferramenta para você lidar com as emoções e aprender mais sobre si mesmo. Todos os dias, reserve algum tempo para sentar e escrever sobre todas as experiências que tenham causado ansiedade ou sofrimento. Colocar os pensamentos obsessivos no papel e analisá-los poderá ser um ótimo meio de você sentir algum controle sobre eles, e o diário também poderá ajudá-lo a criar conexões entre a ansiedade e outras ideias ou comportamentos que você tenha exibido durante o dia. Desenvolver esse tipo de autoconhecimento poderá funcionar como uma ótima ferramenta de aprendizado a respeito dos tipos de situações que contribuem para o TOC.
    • Tente listar os pensamentos obsessivos em uma coluna e depois rotular e classificar suas emoções em outra. Em uma terceira coluna, você pode até mesmo descrever quais interpretações do seu pensamento obsessivo acompanharam as emoções.
      • Por exemplo, imagine que você tenha este pensamento obsessivo: "Esta caneta está coberta com os germes de outras pessoas, eu poderia contrair alguma doença horrível e transmiti-la para meus filhos, deixando-os doentes".
      • Talvez você tenha reagido a esse pensamento da seguinte forma: "Eu seria um pai horrível e irresponsável se não lavasse as mãos, sabendo que posso passar alguma doença terrível para meus filhos. Não fazer tudo o que está ao meu alcance para proteger meus filhos é tão ruim quanto machucá-los com minhas próprias mãos". Escreva e discuta ambos os pensamentos no diário.
  3. Lembre-se sempre das suas boas qualidades. A autoafirmação é muito eficaz na luta contra os sentimentos negativos. Não pense coisas ruins sobre si mesmo nem deixe que o TOC o defina como ser humano. Embora, às vezes, possa ser difícil conseguirmos enxergar algo além do TOC, lembre-se de que você é mais do que isso.
    • Crie uma lista com todas as suas qualidades incríveis e a leia sempre que estiver chateado. O simples ato de ler uma das qualidades enquanto olha para seu reflexo no espelho poderá ajudá-lo a sentir-se mais positivo em relação a si mesmo.
  4. Parabenize-se por alcançar seus objetivos. Quando nos dedicamos a um tratamento, a definição de metas é importante. Não importa o tamanho delas, as metas proporcionam uma coisa na qual você pode trabalhar e motivos para comemorar. Sempre que conseguir algo que não teria conseguido antes do início do tratamento, parabenize-se e sinta-se orgulhoso.
  5. Cuide-se bem. Você deve cuidar bem do corpo, mente e alma enquanto estiver tratando o transtorno obsessivo-compulsivo. Frequente a academia, nutra o organismo com alimentos saudáveis, descanse bastante e alimente a alma através da participação em cultos religiosos ou em alguma outra atividade que proporcione paz de espírito.
  6. Adote técnicas de relaxamento. O TOC provoca muito estresse e ansiedade, e a terapia e os medicamentos podem ajudar a aliviar alguns dos sentimentos negativos, mas é importante reservar um tempo para relaxar diariamente. Pratique atividades como meditação, ioga, respiração profunda, aromaterapia, e outras técnicas calmantes que o ajudem a lidar com o estresse e a ansiedade.
    • Experimente diferentes técnicas de relaxamento até encontrar uma que funcione para você, e então acrescente-a à rotina diária.
  7. Mantenha uma rotina. Lidar com o TOC poderá deixá-lo com vontade de abandonar sua rotina habitual, mas isso não vai ajudá-lo. Mantenha sua rotina diária e siga em frente com a vida. Não deixe que o transtorno o impeça de ir à escola, trabalhar, ou passar tempo com a família.
    • Converse com um terapeuta se você sentir medo ou ansiedade ao realizar determinadas atividades, mas não as abandone.

Entendendo o TOC

  1. Entenda os sinais do problema. As pessoas que sofrem com o transtorno-obsessivo-compulsivo podem ser atormentada por pensamentos e desejos intrusivos e repetitivos, além de comportamentos indesejáveis e incontroláveis, que poderão impedi-las de funcionar normalmente. Esses comportamentos podem incluir rituais para lavar as mãos, um desejo incontrolável de contar os objetos à nossa frente, ou simplesmente uma série de pensamentos negativos recorrentes dos quais não conseguimos nos livrar. Muitas vezes, os pacientes de TOC também sofrem com um sentimento implacável e penetrante de incerteza e falta de controle. Alguns outros comportamentos tipicamente associados ao transtorno incluem:
    • Necessidade de verificar tudo, várias vezes seguidas. Isso inclui verificar diversas vezes se você trancou a porta do carro, acender e apagar as luzes por um determinado número de vezes para ter certeza de que elas estão realmente apagadas, ou repetir determinadas atividades sem parar. Geralmente, as pessoas que sofrem com o TOC se dão conta de que suas obsessões são irracionais.
    • Obsessão em lavar as mãos ou com sujeira/contaminação. Nesse caso, as pessoas lavam as mãos sempre que tocam em qualquer coisa que considerem contaminada.
    • Pensamentos intrusivos. Alguns pacientes sofrem com pensamentos intrusivos, ou seja, pensamentos inadequados e causadores de estresse. Geralmente, eles se encaixam em três categorias: pensamentos violentos impróprios, pensamentos sexuais impróprios e pensamentos religiosos impróprios (blasfêmias).
  2. Entenda os padrões da obsessão, estresse ou compulsão. Uma pessoa com TOC vivencia o estresse e a ansiedade quando algum gatilho específico é acionado, fazendo com que ela se sinta levada a apresentar determinados comportamentos. Tais comportamentos podem ajudar a aliviar ou reduzir a ansiedade temporariamente, mas o ciclo recomeça assim que o alívio desaparece. Os pacientes podem completar o ciclo de obsessão, estresse e compulsão várias vezes ao dia.
    • Gatilho. O gatilho pode ser interno ou externo, como um pensamento ou uma experiência. Ele pode ser um pensamento intrusivo que toma conta das nossas mentes ou a experiência de termos sido roubados no passado.
    • Interpretação. Ao interpretar o gatilho, você analisa se ele é provável, grave ou ameaçador. Para se transformar em uma obsessão, o gatilho precisa ser encarado como uma ameaça muito real, que apresenta grandes chances de ocorrer.
    • Obsessão/Ansiedade. Quando a pessoa vê o gatilho como um ameaça real, ela pode passar a sentir um nível considerável de ansiedade e, ao longo do tempo, tal sentimento cria uma obsessão com o pensamento ou com a probabilidade da ideia se tornar realidade. Por exemplo, se um pensamento intrusivo sobre ser roubado causa muito medo e ansiedade em você, ele tem a capacidade de se transformar em uma obsessão.
    • Compulsão. A compulsão é a rotina ou ação que você sente que precisa executar para conseguir lidar com o estresse causado pela obsessão. A compulsão surge da necessidade de controle sobre alguns aspectos do ambiente, o que o ajuda a se sentir no controle da ameaça apresentada pela obsessão. Talvez você precise verificar cinco vezes se as luzes estão apagadas, recitar alguma oração inventada em voz alta ou lavar as mãos. Talvez você argumente para si mesmo que o estresse de verificar a fechadura várias vezes é menor do que o estresse causado por um eventual assalto.
  3. Entenda a diferença entre o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva (TPOC). Quando pensamos no TOC, costumamos associá-lo a uma preocupação extrema com regras e organização. Embora esse comportamento possa ser uma indicação do TOC, ele só poderá ser diagnosticado de tal forma se os pensamentos e comportamentos associados à preocupação forem indesejados. Por outro lado, essa tendência poderia ser um sintoma do TPOC, um transtorno de personalidade caracterizado por exigências pessoais elevadas e por um excesso de atenção à ordem e à disciplina.
    • Tenha em mente que nem todas as pessoas com TOC sofrem de um transtorno de personalidade, mas existe um alto grau de comorbidade entre o TOC e o TPOC.
    • Já que muitos dos comportamentos e pensamentos relacionados ao TOC são indesejados, o transtorno é muitas vezes associado a um grau bem maior de disfunção do que o TPOC.
    • Por exemplo, os comportamentos associados com o TOC pode interferir com a capacidade de uma pessoa trabalhar dentro do prazo ou, em casos extremos, até mesmo de sair de casa. Pensamentos intrusivos e às vezes vagos costumam surgir e podem causar uma quantidade debilitante de ansiedade. Por exemplo: "E se eu esqueci alguma coisa importante em casa, hoje de manhã?". Se uma pessoa apresenta tais tipos de comportamentos e pensamentos desde muito jovem, ela provavelmente será diagnosticada com TOC em vez de TPOC.
  4. Tenha em mente que existem diversos tipos e graus diferentes de TOC. Todos os casos do transtorno apresentam o desenvolvimento de padrões no pensamento ou comportamento de alguém e geram efeitos negativos significativos sobre as atividades do cotidiano. Como a variedade de padrões associados ao TOC é ampla, ele é melhor compreendido como parte de um espectro de doenças, em vez de uma só condição. Os sintomas poderão ou não fazer com que você busque tratamento, dependendo do quanto interferirem com sua vida diária.
    • Pergunte-se se um determinado padrão de pensamentos ou comportamentos afeta negativamente sua vida. Procure ajuda se a resposta for afirmativa.
    • Mesmo que o TOC seja moderado e não afete sua vida diária, talvez ainda seja uma boa ideia buscar ajuda para que o problema não saia de controle. Por exemplo, talvez você sofra com um grau menor de TOC caso costume sentir vontade de verificar as fechaduras de casa, mesmo depois de já ter confirmado várias vezes que as portas estão devidamente fechadas. Mesmo que você não ceda a esses impulsos, eles já podem ser uma distração suficiente para impedi-lo de se concentrar nas outras atividades do cotidiano.
    • A linha que separa o TOC de um impulso irracional ocasional nem sempre é clara. Você terá que determinar por conta própria se os impulsos são graves o suficientes para justificar a consulta com um profissional.

Dicas

  • Siga corretamente todas as instruções ao tomar os medicamentos prescritos por um psiquiatra. Não pule, interrompa ou aumente a dose sem primeiro consultá-lo.

Avisos

  • Fale imediatamente com seu psiquiatra se os sintomas do TOC piorarem ou reaparecerem.
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