Como Entrar em Contato com seu Pai sem Nunca Tê lo Conhecido

Diversos motivos, como o divórcio, fazem com que pais se ausentem da vida dos filhos. Em alguns casos, os laços familiares biológicos são enfraquecidos pela adoção. Se passar por algo do tipo, você pode ficar com vontade de entrar em contato com tal pessoa (assim como ela pode querer fazer o mesmo). Prepare-se para o encontro para construir uma relação saudável e duradoura com esse indivíduo tão importante.

Encontrando seu pai

  1. Faça uma busca por ele. Se ainda não souber como contatá-lo, comece a investigar — e entenda que o processo pode demorar e mesmo assim ser infrutífero.
  2. Se foi adotado quando criança, tente encontrar registros em arquivos estaduais ou federais. Você pode conseguir documentos que contenham o nome do seu pai biológico, como sua certidão de nascimento original.
  3. Procure cartórios e o Tribunal de Justiça do seu Estado. Tais locais podem ajudar pessoas interessadas (pais que deram filhos à adoção ou os próprios adotados) a encontrarem as informações que buscam e, assim, facilitar o contato.
    • Se quiser usar as redes sociais para expandir a busca, tenha cuidado. Ajuste as configurações de privacidade nas suas contas (no Facebook, Twitter etc.) para controlar a quantidade de informações que compartilha durante o processo.
  4. Converse com parentes para colher informações sobre seu pai. Você pode começar, por exemplo, descobrindo onde ele trabalhou ou os nomes e endereços dos seus avós paternos — para, assim, encontrar dados mais atuais.
  5. Contrate um investigador profissional ou peça ajuda a algum conhecido. Se quiser ser mais radical, encontre uma pessoa qualificada. Caso algum amigo ou parente se ofereça para contribuir, lembre-se de que, embora possa ser muito útil, seus serviços vão ser limitados.

Decidindo encontrar seu pai

  1. Decida onde quer encontrá-lo. Você pode querer conversar com ele por inúmeros motivos: conhecer o histórico médico da família, cultivar um relacionamento etc.
    • Caso ele se pronuncie, lembre-se de que a decisão final é sua — não dele, de seus parentes ou amigos. Guarde as informações de contato que receber dele pelo tempo que quiser, até se sentir pronto.
  2. Prepare-se emocionalmente. Leia relatos de pessoas que passaram pela mesma coisa e, se possível, entre em contato com grupos de apoio. Converse com amigos ou parentes sobre a decisão, sem se esquecer de que eles também têm opiniões próprias sobre o assunto.
    • Entenda que ele pode não querer um encontro — pelo menos, não no momento. Antes de tentar contatá-lo, pense no que vai sentir se ele se recusar. Pense nas pessoas a quem vai recorrer: amigos próximos, assistentes sociais, etc.
    • Ele pode reagir com surpresa, medo, alegria ou, provavelmente, um pouco de cada. Pais e mães ficam com um forte sentimento de culpa ou ficam traumatizados quando são apresentados a que nunca conheceram. Entenda que a primeira reação vai mudar com o tempo e encontre uma pessoa próxima com quem possa conversar sobre o que está acontecendo.
  3. Reflita sobre o que espera do encontro. Evite idealizar algo sobre seu pai. Como acha que ele é? O que vai fazer se estiver enganado?
    • Concentre-se em tirar algumas dúvidas básicas e conhecer mais da própria história, em vez de encontrar o pai perfeito.

Encontrando seu pai pela primeira vez

  1. Não se abra demais nos primeiros encontros. Nas interações iniciais, você pode optar por não revelar seu nome completo ou detalhes de onde mora ou trabalha, por exemplo. Por mais que seja seu pai, ainda é um estranho — e pode ter seus próprios receios.
    • Tente não desenvolver qualquer sentimento forte nessa etapa. Comece aos poucos para que sua relação fique melhor e mais estável no futuro.
    • Você pode começar o relacionamento com gestos mais simples e comedidos, como a troca de e-mails, mensagens ou cartas tradicionais com seu pai.
  2. Combine um encontro. Marque duas horas no relógio para que possam conversar em um local neutro e relativamente calmo (como um parque ou um restaurante) durante o dia. Nessas condições, vocês vão poder conversar com paciência e expressar o que sentem.
    • Decida se quer encontrar seu pai a sós ou acompanhado de alguém. Se possível, entre em contato com um assistente social que possa mediar a conversa.
  3. Faça perguntas. Aproveite o encontro para esclarecer detalhes sobre sua própria identidade, a vida do seu pai ou a família dele.
    • Diga, por exemplo, "Acho que sou a única pessoa na minha família que gosta de matemática. O senhor também gosta? Herdei isso do seu lado da família?".
    • Faça perguntas sobre saúde que considerar importantes. Essa é a melhor oportunidade para você descobrir se tem riscos de desenvolver problemas tipicamente hereditários, como doenças cardiovasculares, diabetes ou câncer.
    • Nesse primeiro encontro, atente-se às semelhanças físicas entre você e seu pai.
  4. Não faça grandes planos para o futuro. Esse primeiro encontro provavelmente vai ser cercado de emoções — que podem até deixar ambos surpresos. Vocês precisam de tempo para refletir sobre a conversa e pensar no que fazer a seguir.
    • Se ele quiser discutir o futuro, sugira algo simples, mas concreto. Vocês podem, por exemplo, marcar um encontro para tomar um café e conversar dentro de algumas semanas.
  5. Crie um sistema de apoio pessoal. Diga às pessoas que ama que vai encontrar seu pai e planeje o que vai fazer imediatamente após a conversa, pelo resto do dia. Você pode, por exemplo, ligar para um amigo e jantar com outro. Não retome o trabalho ou os estudos logo de cara. Se estiver fazendo terapia ou trabalhando com um assistente social, marque um encontro (ou ligue) para discutir o que aconteceu.

Formulando um plano de longo prazo

  1. Não desanime se o primeiro encontro for decepcionante. Mesmo que o contato inicial seja ruim, pode valer a pena insistir em conhecer seu pai. Você não precisa seguir roteiros ou regras — a experiência natural já pode ser muito complicada para ambos.
  2. Entenda que nem tudo são flores e que o início do relacionamento vai ser complicado. Se o primeiro encontro for bom, vocês vão ficar eufóricos e sentir que formaram uma conexão imediata e intensa. Porém, essa sensação vai passar logo (ou, pelo menos, diminuir). Quando isso acontecer, os dois vão ter de refletir bastante enquanto se acostumam à nova realidade. Prepare-se para lidar com sentimentos conflituosos e confusos e, por fim, ajustar a dinâmica com essa nova pessoa em sua vida. Isso acontece em qualquer reunião.
  3. Defina limites em relação à sua vida privada. Comece sem grandes expectativas para cultivar um relacionamento mais forte e saudável. Para isso, talvez você tenha de tomar as rédeas da situação, já que pais costumam ter expectativas ainda maiores que seus filhos quando se encontram.
    • Se você tiver filhos, por exemplo, não apresente-os ao seu pai até conhecê-lo melhor.
    • Especifique como quer que as interações se deem. Você pode pedir que seu pai ligue antes de fazer visitas, mesmo que more por perto, ou preferir conversar por telefone, em vez de pessoalmente.
  4. Dê tempo e espaço para o relacionamento se aprofundar e desenvolver. Se tiverem interesse em manter contato, você e seu pai podem encontrar maneiras de fazer coisas juntos: combinar almoços ou ligações periódicas, ir a partidas de esportes ou eventos musicais etc.
  5. Entenda que o relacionamento pode não vingar. Por mais que colham os benefícios dessa aproximação, algumas pessoas não têm vontade de ficar próximas de seus pais biológicos por diversos motivos: diferenças de valores ou estilos de vida, a incapacidade de manter uma dinâmica saudável etc.
  6. Não abandone a família de criação. Mantenha seus laços estreitos com aqueles que já conhece. Mostre a seus pais e irmãos adotivos que, embora esteja conhecendo seu pai biológico, você ainda dá a eles o valor que lhes é de direito.
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