Como Parar de Ser Passivo Agressivo

O termo "passivo-agressivo" surgiu após a Segunda Guerra Mundial e era utilizado para descrever os soldados que exibiam uma resistência sutil aos seus superiores. Esse comportamento resiste indiretamente a autoridade ou demonstra ressentimento indireto em relação a um indivíduo. Uma pessoa passivo-agressiva normalmente tenta evitar o confronto – o que pode passar despercebido ao ser mascarado por frustrações e cortesias superficiais –, fazendo com que a raiva se acumule e a pessoa exploda quando a situação atingir um estágio volátil. Caso entenda e controle suas tendências passivo-agressivas, você terá uma vida social mais saudável e feliz.

Identificando o comportamento

  1. Conheça os estágios do conflito passivo-agressivo, que se desenvolve aos poucos.
  2. O primeiro estágio do ciclo de conflito é o desenvolvimento do comportamento passivo-agressivo. Conforme se desenvolvem socialmente, os indivíduos acreditam que as expressões diretas de raiva são perigosas e devem ser evitadas, o que faz com que elas resolvam esse problema mascarando a raiva com comportamentos passivo-agressivos.
    • O segundo estágio do ciclo é uma situação estressante que desencadeia pensamentos irracionais com base nas experiências anteriores da pessoa.
      • Por exemplo, imagine que um professor peça que um aluno passe uma folha adiante, mas esse aluno possui um histórico de fazer as coisas para os outros e nunca ser valorizado por isso, ao invés de ele se sentir honrado por ser solicitado, ele ficará ressentido por conta das experiências passadas.
    • O terceiro estágio ocorre quando o indivíduo nega a raiva, o que pode ocasionar a projeção de sentimentos negativos nos outros, além de criar um acumulo de ressentimento.
    • O quarto estágio ocorre quando o comportamento passivo-agressivo em si é iniciado. Isso inclui (mas não se limita a): negar os sentimentos de raiva, afastar-se de outras pessoas, ficar amuado, procrastinar, realizar tarefas de modo ineficaz e se vingar dos outros.
    • O quinto estágio corresponde às reações dos outros. As pessoas normalmente reagem negativamente ao comportamento passivo-agressivo e, com frequência, isso é o que o agressor espera. Essa reação apenas reforça o comportamento e o ciclo se inicia novamente.
    • Crie um diário comportamental. Escrever é um modo útil de identificar, avaliar e corrigir seu próprio comportamento. O diário pode ajudá-lo a determinar as causas do comportamento e permitir que você seja sincero quanto as suas reações e como gostaria de agir no futuro.
  3. Identifique incidentes aos quais reagiu de modo passivo-agressivo. Listar todos os momentos em que se comportou desse modo pode sobrecarregá-lo, então identifique cerca de três ou quatro episódios em que notou esse comportamento.
    • É provável que você aja desse modo em um ambiente de trabalho. Existem quatro comportamentos específicos comuns aos hábitos passivo-agressivos no serviço: submissão temporária, ineficácia intencional, permitir que problemas aumentem e a vingança oculta, mas consciente.
    • Um bom lugar para identificar esses comportamentos é analisar os padrões de sua vida profissional.
  4. Registre informações sobre o que aconteceu. É importante identificar e eliminar padrões de pensamento problemáticos que foram desenvolvidos previamente. Para isso, identifique quando e como eles surgem. Pode ser útil analisar as circunstâncias como alguém de fora e ser o mais objetivo possível. Caso comece a ficar emotivo, respire fundo e esvazie a mente antes de continuar. Não diminua sua culpa no que ocorreu, pois o propósito é examinar as circunstâncias e motivações que resultam em ações passivo-agressivas. Considere as seguintes questões:
    • Quem mais estava envolvido? Qual o relacionamento dessas pessoas com você (por exemplo: chefe, amigo, pai, professor)? Elas tem autoridade sobre você ou são seus semelhantes?
    • Onde isso ocorreu? Por exemplo: no serviço, em casa, na escola?
    • Quando isso ocorreu? Muitas vezes o tempo é um fator, pois o comportamento pode ser desencadeado no início do ano letivo ou durante a temporada de festas.
    • Como o incidente se desenrolou? Houve um gatilho específico ou uma série de eventos envolvidos? Qual foi a sequência de ações e respostas?
    • O que houve no fim? O resultado foi semelhante ao que tentou obter com seu comportamento negativo? Como os outros reagiram?
  5. Examine quais foram as reações passivo-agressivas durante os incidentes. Normalmente, esse comportamento se manifesta através de contradições deliberadas entre o que você diz (passivo) e o que faz (agressivo). Essas são algumas manifestações comuns do comportamento passivo-agressivo:
    • Oferecer apoio publicamente mas resistir, procrastinar ou sabotar de modo indireto a conclusão de tarefas sociais ou ocupacionais.
    • Concordar em fazer algo, mas não fazê-lo – ou fingir esquecê-lo.
    • Dar um gelo em alguém sem dizer o motivo.
    • Agradar alguém em público mas falar mal pelas costas da pessoa.
    • Falta de assertividade ao expressar sentimentos e desejos enquanto espera que saibam o que quer.
    • Misturar comportamentos positivos com sarcasmo ou linguagem corporal negativa.
    • Reclamar do fato de ser incompreendido ou não valorizado pelos outros.
    • Ser rabugento ou crítico sem oferecer ideias construtivas.
    • Culpar os outros por tudo e evitar a responsabilidade.
    • Criticar e zombar injustificadamente a autoridade de seus semelhantes.
    • Responder à autoridade indesejável com ações desonestas e dissimuladas.
    • Reprimir emoções por temer o conflito, a falha ou o desapontamento.
    • Expressar inveja e ressentimento quanto aos mais afortunados.
    • Fazer reclamações exageradas e persistentes quanto a um infortúnio pessoal.
    • Alternar entre desafio hostil e contrição.
    • Prever resultados negativos mesmo antes de iniciar o trabalho.
  6. Procure por padrões em seu comportamento. Ao analisar suas ações passadas, você se vê repetindo as mesmas respostas em certas situações? Os resultados foram similares? As outras pessoas reagiram do mesmo modo? Você se sentiu melhor ou pior no fim? Pense em como esses padrões podem o estar prejudicando.
  7. Aceite suas emoções, pois negá-las é um dos maiores problemas das tendências passivo-agressivas. Você não quer que os outros saibam que está nervoso, magoado ou ressentido, então você age como se não estivesse. Seus sentimentos apenas se intensificarão e se tornarão mais irracionais pois você não criou um escape saudável para eles. Portanto, é importante se permitir sentir e reconhecer as emoções existentes para lidar com elas de modo saudável.
  8. Construa sua autoconsciência. Essa é a hora onde você deve ser honesto consigo mesmo e entender as razões por trás dos sentimentos negativos. Eles surgiram pois um colega de trabalho disse algo? Você se sentiu pressionado a fazer algo que não queria? Você não foi reconhecido por sua contribuição? Seus amigos obtiveram uma nota melhor do que achou que mereciam? Olhe mais a fundo e descubra o que quer de verdade.

Reduzindo as tendências passivo-agressivas

  1. O primeiro passo para se tornar menos passivo-agressivo é desenvolver uma autoconsciência para reconhecer esse comportamento. Fique atento para comportamentos como isolamento social, realização de tarefas de modo ineficaz (propositalmente), teimosia e procrastinação. A natureza crônica desse traço significa que ele não se desenvolveu da noite para o dia e você precisará de tempo e determinação para mudar isso.
  2. A comunicação requer que você ouça e compreenda o que é dito, não que apenas fale. Considere o que a outra pessoa está ou não dizendo em resposta às suas ações. Os outros também podem ser passivo-agressivos, então olhe as coisas de uma perspectiva diferente. Você pode estar reagindo exageradamente? Analise a situação com uma distância emocional.
  3. Deixe o sarcasmo para lá, pois ele apenas piorará as situações ruins. Essas são algumas frases que devem ser evitadas:
    • "Que seja."
    • "Tá tudo bem."
    • "Por que você está tão chateado?"
    • "É só brincadeira."
  4. Evite a complacência temporária. No trabalho, os funcionários possuem um tipo de específico de agressão passiva, chamada de complacência temporária, que ocorre quando a pessoa concorda em fazer uma tarefa e não a realiza no prazo estipulado. Isso pode ocorrer por conta da procrastinação, atrasos ou má organização. As pessoas normalmente fazem isso quando se sentem desvalorizadas no serviço mas não sabem como se expressar.
    • Caso perceba estar fazendo isso, tente determinar a causa desse comportamento.
    • Esse tipo de agressão passiva também pode ocorrer em casa. Você pode dizer para sua parceira que lavará a louça sempre, por exemplo, mas deixar de fazer isso para irritá-la intencionalmente.
  5. Reconheça a ineficiência intencional. Isso ocorre quando uma pessoa dá mais valor à oportunidade de prejudicar alguém do que em sua própria competência. Um exemplo disso ocorre quando um funcionário que sempre produziu uma quantidade fixa de trabalho de qualidade começa a realizar um trabalho inferior ou fora dos prazos. Os funcionários confrontados por esse comportamento normalmente fazem o papel da vítima. Isso pode ser danoso para a empresa e para sua reputação.
    • Reconhecer esse tipo de comportamento pode permitir que você o reduza, o que será ótimo para sua carreira.
    • Isso também pode ocorrer em casa, como quando você demora muito para lavar a louça ou faz um trabalho mal feito para que sua esposa tenha de lavar tudo novamente.
  6. Não deixe um problema aumentar. Esse é um comportamento passivo-agressivo que ocorre quando um indivíduo se recusa a confrontar ou solucionar um problema. Ao adiar o confronto, o problema aumentará cada vez mais.
    • Os exemplos de problemas aumentando no serviço incluem a procrastinação e o abuso de faltas.
    • Em casa, isso pode ocorrer quando você se recusa a lavar a louça por tanto tempo que uma pilha enorme se forma na pia. Sua família provavelmente precisará comer em pratos descartáveis e o clima em casa não ficará muito bom.
  7. Reconheça uma vingança oculta, mas consciente. Isso ocorre quando uma pessoa tenta prejudicar outra secretamente. Isso pode ocorrer na forma de fofoca ou de outros atos indetectáveis de sabotagem.
    • No escritório, você pode espalhar rumores sobre alguém que o incomoda, comprometendo seu profissionalismo e a reputação da pessoa.
    • Em casa, isso pode ocorrer quando você tenta virar seus filhos contra sua esposa.
    • Evite a auto depreciação. Isso ocorre quando alguém se comporta de modo prejudicial a si mesmo apenas para se vingar de outra pessoa.
    • Exemplos disso podem incluir um aluno que vai mal em uma prova para se vingar de uma professora ou um atleta que não joga bem para se vingar do técnico.
    • No serviço, isso pode ocorrer quando você perde um cliente ou faz com que um projeto não dê certo apenas para "se vingar" da empresa, mesmo que isso o prejudique.

Desenvolvendo hábitos emocionais mais saudáveis

  1. Mudar um comportamento antigo requer tempo e repetição. Lembre-se de que a mudança não é um processo linear, então não tenha medo de voltar para o início e reavaliar seu comportamento. Ao mesmo tempo, não pegue muito pesado consigo mesmo caso não consiga resolver a situação na primeira tentativa. Quanto mais praticar e trabalhar para melhorar suas tendências passivo-agressivas, maiores são as chances de conseguir mudar esse comportamento. Caso esteja se distanciando de sua meta, faça uma pausa e reflita no que está acontecendo. Pergunte a si mesmo:
    • Você consegue identificar os motivos pelos quais está dando passos para trás?
    • Você precisa fazer uma pausa e experimentar abordagens diferentes para mudar um comportamento específico?
    • Há um sentimento oculto ou uma resposta emocional que não reconheceu ou melhorou?
  2. Aprenda a ser mais assertivo e a se expressar de modo honesto e respeitoso. Após identificar o que o está incomodando, você pode começar a falar com os outros e ser sincero. Pratique o que diria para encontrar as palavras corretas fora do calor do momento. É possível ser direto e convincente sem magoar os outros. Assuma a responsabilidade por suas palavras e comunique seus sentimentos de modo positivo. Abrir-se desse modo pode torná-lo mais vulnerável no começo, mas você ganhará confiança ao progredir.
    • Por exemplo, você pode ficar irritado caso alguém sempre tome todo o café sem colocar mais para coar. Ao invés de ficar nervoso e guardar isso até explodir, fale. Diga "Você pegou o último café, né? Se importa de colocar mais para fazer para que todos possam tomar um pouco? Obrigado!"
    • Em casa, você pode ser claro com suas expectativas. Caso sua parceira deva lavar a louça após a janta mas nunca o faça, tente dizer algo como "Sei que você está cansada depois de trabalhar o dia inteiro, mas concordamos que eu cozinharia e você lavaria a louça. Acredito que temos que dividir as funções, você prefere invertê-las?"
  3. Entenda que os conflitos ocorrerão. Algumas das confrontações encontradas podem ser apenas pequenos desentendimentos e não há problemas em resolvê-los de modo construtivo e positivo. É possível discordar dos outros e obter um resultado vantajoso para todos os envolvidos. Desse modo, você assume o controle e não permite que seu comportamento piore tudo.
    • Caso você esteja desenvolvendo um projeto e alguém chegue e comece a opinar sem levar em consideração seu trabalho até o momento, converse com a pessoa sobre as diferenças no processo e não fique irritado. Vocês podem não concordar em tudo, mas talvez seja possível dividir as funções de modo que todos fiquem satisfeitos e o melhor resultado possível surja.
    • Caso descubra que atribuiu a sua parceira uma tarefa que ela odeia, vocês podem entrar em um acordo e descobrir o que ambos se sentem mais confortáveis em fazer. Por exemplo, ela pode concordar em aspirar a casa, cozinhar e tirar o lixo apenas para não precisar lavar a louça.
  4. Opte pelo sucesso e evite resultados negativos. Muitas pessoas gostam de admitir o fracasso antes da hora apenas para não elevar as expectativas. Caso utilize esse comportamento passivo-agressivo em seu emprego pois se sente desvalorizado, tente se orgulhar de seu próprio trabalho. Faça mudanças para torná-lo o mais recompensador possível.
  5. Orgulhe-se de seu sucesso, mesmo que ele seja lento. Evitar as respostas passivo-agressivas removerá os comportamentos de proteção que você colocava em seu caminho. Não há nenhum problema em ter um pouco de insegurança, mas você deve ser capaz de comunicar claramente seus sentimentos para ser mais eficaz e fortalecer seus relacionamentos.

Buscando ajuda quando necessário

  1. Não tenha medo de procurar a ajuda de um psiquiatra ou psicólogo. As raízes do comportamento passivo-agressivo normalmente são profundas e precisam de mais do que uma mudança de comportamento independente. A psicoterapia pode ajudá-lo com alguns de seus problemas mais graves.
  2. Entenda o transtorno de personalidade passivo-agressivo. Alguns profissionais insistem que ele se qualifica como um transtorno de personalidade, enquanto outros discordam dessa posição. Não importa o "reconhecimento oficial", você deve procurar aconselhamento profissional caso se sinta incapaz de controlar esse comportamento.
  3. Estudos demonstram que as pessoas que possuem o transtorno de personalidade passivo-agressivo possuem uma alta taxa de depressão e de pensamentos suicidas. Caso sinta que está passando por isso, procure ajuda imediatamente. É possível contatar clínicas de saúde mental ou ligar para linhas telefônicas de apoio. O telefone do Centro de Valorização da Vida é 141.

Dicas

  • Caso o comportamento passivo-agressivo pareça forte demais, você pode procurar ajuda profissional.
  • Normalmente existem outros problemas que contribuem para a agressão passiva, como o desejo da perfeição, o medo do fracasso, do sucesso ou da rejeição. Esses problemas também devem ser compreendidos para que você descubra as motivações por trás de suas palavras ou ações.
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