Como Defender sua Escolha de Não Ter Filhos

Pode ser difícil fazer com que seus amigos e parentes entendam seus motivos e aceitem sua decisão de não ter filhos. Você pode estar feliz com isso, mas sua família lhe perturba em toda reunião com as famosas frases: “quando vou ganhar uns netinhos?” ou “o que vocês estão esperando? Já estão casados há cinco anos!” Manter um bom relacionamento com as pessoas e defender sua decisão ao mesmo tempo pode ser difícil. Comece a leitura do artigo para conseguir alguma ajuda.

Passos

  1. Crie limites emocionais saudáveis. Ninguém tem a autoridade de exigir que você tenha filhos – nem mesmo os seus pais ou avós. Você tem todo o direito de “não” ter um bebê. Se isso não é algo que você deseje (pelo menos no momento), você terá de se impor como um adulto independente. Muitas vezes esse percurso é muito difícil e cheio de armadilhas emocionais.
    • Os parentes podem ter dificuldade de abrir mão do controle exercido sobre você. Isso não necessariamente é um ato de medida de forças. Entenda que você sempre será querido por eles, que podem querer lhe poupar de algum sofrimento. Eles querem evitar que você cometa erros, mas parte de ser um adulto é tomar decisões sobre sua vida sem o controle deles, incluindo a decisão de ter ou não filhos.
    • Se você já é adulto, tem direito à privacidade em relação às suas escolhas reprodutivas. Sua mãe não precisa ficar xeretando suas escolhas de usar algum controle de natalidade, por exemplo.
    • Similarmente, é preciso manter os parentes fora do seu relacionamento de forma educada, mas firme. Sua avó pode ter a opinião de que vocês se arrependeriam de não terem filhos, por exemplo – mas isso não significa que ela tenha poder de decisão.
  2. Entenda (sem necessariamente concordar com) o ponto de vista deles. Há diversos motivos pelos quais as pessoas insistem que os outros tenham filhos:
    • Cultural. Tradicionalmente, em muitas culturas a vida adulta girava em torno de dar continuidade à linhagem. Sua opção pode ser vista como uma afronta a esses valores, mesmo se essa não for sua intenção.
    • Culturas que tenham passado por alguma espécie de genocídio (como os judeus) podem sentir pressão ainda maior para procriar.
    • Algumas famílias têm interesse especial em ter filhos. Por exemplo, se você for o último descendente da sua família, ou se for parte de uma empresa gerida por ela.
    • Fé. Algumas religiões dão bastante valor ao ato de ter filhos. Sua decisão pode conflitar com os mandamentos da sua religião.
    • Necessidades egoístas de outros. Sua mãe está louca para ser avó, e pode lhe pressionar para ter filhos e tornar esse sonho realidade. Ela adorou ser mãe e quer que você sinta essa mesma alegria. Ela pode não entender que você tenha necessidades e sonhos diferentes, e que você não “deve” um neto à ela.
    • "Mas e se você mudar de ideia?" Todo o mundo sabe ou já ouviu falar de alguém que não queria filhos quando era mais novo, e então mudou de ideia mais tarde. Às vezes o final é feliz. Infelizmente, às vezes essa percepção pode acontecer quando é “tarde demais” – como uma mulher que deixou para ter filhos mais tarde e descobre então que tornou-se infértil, e arrepende-se dessa procrastinação.
  3. Converse com seu cônjuge ou afim. Se a intenção é que o relacionamento seja duradouro, uma das coisas que devem ser discutidas é a vontade ou não de ter filhos de ambos. Se não houver um acordo nesse ponto, vocês dois podem não ser compatíveis.
    • Seja sincero. Se você não quer ter filhos mas seu cônjuge sim, é melhor saber disso antes de investir seu tempo em um relacionamento que pode simplesmente não funcionar.
    • Essa conversa deve ocorrer “somente entre vocês dois”. Os desejos, opiniões e sonhos dos seus parentes não devem interferir. Se a outra pessoa disser algo como “mas eu não quero decepcionar minha mãe...” lembre-a educadamente que o assunto é entre vocês dois e mais ninguém.
  4. Seja firme. Se não quiser continuar respondendo à mesma pergunta pelos próximos 25 anos, é preciso defender sua escolha firmemente. Se você for casado, peça à outra pessoa para ter a mesma atitude firme, mas educada, que a sua. Ser maleável e evitar uma resposta direta só dará aos parentes a esperança de que um dia você pode ceder. Diga algo bem direto, “eu sei que vocês podem não concordar ou entender, mas nós tomamos a decisão de não ter filhos. Nós avisaremos se mudarmos de ideia.”
  5. Justifique-se somente se desejar. As razões da sua decisão são somente suas. Explique-as apenas se quiser divulgar a informação para os familiares e amigos. Se não quiser, não o faça. Você não deve nada a ninguém.
  6. Permita que as pessoas tenham seus sentimentos de decepção ou luto. Talvez você seja o último filho, e portanto a última esperança da família de carregar o nome dela para a próxima geração. Se você não tiver filhos, sua linhagem terminará com você. Isso pode criar bastante pressão, e vários sonhos podem se perder para sua família se você optar por não ter filhos. Ou talvez você seja uma mulher que simplesmente decidiu não ser mãe. Quaisquer que sejam seus motivos, entenda que sua família pode ter sonhado com os netos desde que você nasceu. Deixe que eles lamentem sua perda (sim, “é” uma perda de fato) – você não é a única pessoa afetada pela decisão, e se você valoriza seu relacionamento com os parentes, é preciso deixar que eles lamentem o fato. Você pode viver como desejar, apesar deles serem afetados, e o fato deles ficarem tristes não deve lhe fazer sentir que você deve ter filhos, se não é isso o que quer para si.
  7. Lembre-os de que o ato de ter filhos deve ser uma decisão unânime. Se houver algum desacordo entre o casal, a decisão de não ter filhos deve prevalecer. Crianças devem ser recebidas em lares que as desejam e amem sem quaisquer reservas.
  8. Considere cuidadosa e honestamente todas as sugestões. Se estiver totalmente decidido a não ter filhos e, por exemplo, for o último filho da família, a não ser que ela tenha histórico de doenças congênitas ou mentais, não há mal algum em ouvi-los se eles tiverem alguma sugestão para alguma espécie de acordo. Pode surgir uma ideia de como continuar o nome da família (como sugerir que uma irmã dê o nome da sua família aos filhos dela). Não é preciso fazer isso em toda reunião, mas pelo menos ouça as sugestões – isso contribuirá bastante para que eles se sintam menos magoados e também lhes mostra que eles deram sua opinião sobre o assunto. Não há nada que lhe obrigue a seguir os conselhos ou sugestões deles. Lembre-se apenas de que a vida é “sua”, e não deles, e que “eles” não terão a responsabilidade de cuidar das crianças – “você” sim.

Dicas

  • Se alguém tentar lhe ofender de alguma maneira por causa desse fato, diga apenas que você “decidiu não ter filhos”. Diga ainda que a escolha foi feita cuidadosamente, e não por causa de algum impedimento médico.
  • Sendo firme desde o princípio e avisar que não deseja discutir mais o assunto diminui a probabilidade das pessoas lhe perturbarem em toda reunião de família.
  • Pesquise esse assunto na internet. Há muitos sites e livros dedicados a ele. A forma mais rápida de desarmar rapidamente qualquer ataque sobre o seu caráter é demonstrar que você entende mais do assunto do que os outros, e ter uma resposta bem informada para todas as perguntas feitas. Por exemplo, se alguém disser que você está sendo egoísta, lembre a pessoa que há casais que têm filhos por motivos egoístas também.
  • Observe que a maioria dos exemplos citados incluem as palavras "agora" ou "por enquanto". Mesmo que você esteja totalmente decidido, a coisa funciona muito melhor assim do que dizer simplesmente "nunca vou ter filhos, desistam." O "por enquanto" dá a impressão de que você ainda não se decidiu para sempre, acalmando um pouco os terceiros. Se você der o comunicado em termos muito absolutos, a menos que você queira avisar algo como "Eu fiz uma vasectomia, já era", provavelmente terá de lidar com bastante confusão. É bom evitar isso.
  • Se todo o resto falhar, pronuncie-se em um jantar de uma data comemorativa: “eu sei que vocês todos ficam imaginando porque não tivemos filhos nem adotamos ainda. Queremos informar que nós amamos todos vocês, mas ter filhos é uma decisão muito pessoal para um casal, e nós decidimos não fazê-lo, pelo menos por enquanto. Quando vocês ficam perguntando, põem muita pressão sobre nós dois, por favor, parem com isso. Se houver algum momento adiante em que nós decidamos o contrário, vocês serão os primeiros a saberem”. No fim das contas, se eles não se mancarem, você não precisa se preocupar se eles ficarem um pouco chateados por você tomar as rédeas e ser bem direto.
  • Há algo de sábio no velho ditado “nunca diga nunca”. Apesar de você poder acreditar que já se decidiu para sempre, você é uma pessoa totalmente diferente com 30 anos do que era quando tinha 20. As coisas – e pessoas – mudam com o tempo. Coisas que você achou que jamais faria acabam se tornando comuns. Se você for firme mas deixar uma fresta dessa porta aberta, não será preciso voltar atrás mais tarde. Se você disser “Nossa decisão no momento é bem firme. Se nós tomarmos uma decisão diferente mais tarde, nós avisamos; por enquanto, por favor nos deixem em paz”. Isso informa que você não deseja mais discutir o assunto, mas deixa uma válvula de escape (que pode aliviar a pressão de ambas as partes).

Avisos

  • O pequeno ato de compaixão de incluir o “agora” ou “por enquanto” pode deixar as pessoas ainda com um pouco de esperança. A maioria das pessoas permitirá que essa esperança desapareça conforme os anos passam. Mas há alguns que se agarram a ela, e continuam a lhe incomodar de tempos em tempos. É nesse momento que você deve dizer firme e diretamente, “nós já nos decidimos há muito tempo atrás. Estamos felizes assim, e queríamos que vocês também fiquem. Nós não vamos mudar de ideia e gostaríamos que você parasse de perguntar.”
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