Como Mentir

As mentiras existem em diversos formatos e tamanhos e, por vezes, abrigam um excesso de razões por detrás delas, desde a prevenção de um dano pessoal, com a intenção proteger ou de evitar machucar alguém, até a busca deliberada pela obtenção de algum tipo de ganho às custas de alguma pessoa; ganho esse que pode ser material, social ou emocional. A natureza ética da mentira não é o tema deste artigo; antes, este artigo aborda os passos tomados uma vez que você tenha transposto sua moral pessoal, crenças ou questões de confiança com a mentira e tenha tomado a decisão de seguir em frente e mentir.

Passos

  1. Faças as pazes com sua decisão de mentir. Boas mentiras significam que você já transpôs quaisquer obstáculos morais ou éticos e justificou a si mesmo(a) que a mentira em questão é, agora, uma necessidade. Um mau mentiroso geralmente tropeça enquanto luta contra as questões de moralidade ou de fé por detrás da decisão de mentir. Independentemente das razões, se você deseja mentir com sucesso, será necessário atingir um ponto de equilíbrio interno no qual a mentira é adequadamente justificada em sua própria mente. Ao mesmo tempo, lembre-se do seguinte:
    • A mentira tratada com desprezo devido à sua tendência de machucar, causar rupturas e por vir acompanhada por custos maiores que, às vezes, inclui a perda de status social ou financeiro. E a mentira viola a confiança tanto em nível pessoal quanto social, quando o que a maioria das pessoas ainda desejam é continuar lutando para serem capazes de confiar umas nas outras. Contudo, é sustentável que, por vezes, uma mentira possui seu papel, seja para proteger uma reputação, prevenir machucar alguém, diminuir a tensão e, assim por diante. Mas isso sempre dependerá do contexto e da extensão da mentira, como a legalidade/moralidade do objeto de mentira.
    • Algumas pessoa, como os sociopatas, acham que mentir é algo fácil de ser realizado. Esses tipos de mentiroso são completamente auto-centrados e sem remorsos; é improvável que, algum dia, sintam consideração por outro ser humano. Para a maioria das pessoas, mentiras com o intuito de manipular alguém sempre trarão um alto custo ao mentiroso quando este for descoberto.
    • Algumas pessoas acham que mentir é algo quase impossível. Quer por serem inflexivelmente éticas, por possuírem a síndrome de Asperger ou por nunca terem sido capazes de compreender que a honestidade nem sempre é a melhor política, a mentira provavelmente nunca irá funcionar para essas pessoas. Tais pessoas podem ter a tendência de confessar ou mesmo de “meter os pés pelas mãos” e falar coisas que não deveriam. No entanto, acreditar na completa honestidade pode, por vezes, fazer perder de vista as sutilezas e nuances necessárias em relacionamentos e situações nas quais se está em perigo real (físico ou emocional) ou a ponto de machucar alguém com a verdade. Então, um julgamento geral sobre a mentira deve ser feito com extremo cuidado.
    • Mentir ocasionalmente é uma decisão pessoal. No entanto, seja realista cosingo mesmo(a); usar mentiras para evitar responsabilidades todas as vezes que algo estiver errado em sua vida pode levar ao hábito de mentir compulsivamente e à incapacidade de reconhecer a diferença entre a necessidade de honestidade e a necessidade de segurança - um estado metal que pode arruinar sua vida. Sob quais circunstâncias você está disposto(a) a correr o risco de prejudicar seus relacionamentos, sua reputação e suas oportunidades futuras? Os benefícios de contar uma mentira superam os riscos? Por causa das mentiras, algumas pessoas terminam na cadeia ou pior.
  2. Considere a possibilidade de ser detectado. Antes de lançar sua mentira, pergunte a si mesmo(a) quais são as chances de ser pego(a). Somente você pode responder a pergunta de quão provável é que seja descoberto(a) e o valor de mentir sobre o assunto em questão. Coisas a serem consideradas incluem:
    • Eu já tentei isso antes e fui descoberto(a) pelas mesmas pessoas para as quais pretendo mentir agora? Caso a resposta seja sim, é improvável que elas acreditem em você dessa vez.
    • Havia testemunhas? Se você pretende dizer para seu parceiro ou sua parceira que você não estava “dando uns amassos” em um(a) completo(a) desconhecido(a) num canto de uma festa, você estará correndo o risco de que alguém que seu/sua parceiro(a) conheça também estivesse lá.
    • Você se sente confiante o bastante para revisar os eventos e criar toda uma nova história?
    • Quais são as possíveis represálias caso seja pego(a)? É provável que a pessoa em questão seja indulgente ou se sinta completamente traída? Trata-se de uma pequena mentira da qual a pessoa possa se recuperar ou trata-se de algo que atingirá o núcleo da confiança em seu relacionamento que, uma vez quebrado, não poderá ser reparado.
  3. Faça sua revisão dos eventos. Uma vez que você tenha decidido que irá mentir, você precisará surgir com sua alternativa plausível para os fatos. Como parte do processo, você precisará imaginar o que irá dizer e quais os tipos de perguntas que possivelmente terá que responder, de modo que você já possua respostas para elas ordenadas em sua cabeça.
    • Pense em alguma coisa específica (lugar, pessoa, evento, história), que seja verdadeira e se encaixe em sua mentira. Use esses detalhes quando questionado(a) a respeito. Isso dará a você um banco de detalhes específicos para descrever, dessa forma, você não precisará ficar inventando coisas enquanto segue com a mentira.
    • Mantenha simples. Quantos mais mentiras você tiver que contar para suportar sua mentira original, mais chances haverá de você tropeçar em sua própria mentira. A mentira é um pouco parecida com xadrez - você sempre precisa pensar alguns movimentos à frente. Antecipe o que a pessoa para qual está mentido irá lhe perguntar e esteja preparado(a) com uma resposta. Certifique-se ter pensado sobre essa pessoa. O que ela já sabe? O que é aceitável ou não para ela?
    • Escreva a mentira. O ato de escrever pode aumentar sua memorização e também irá lhe ajudar a organizar a sequência.
  4. Use sua imaginação e visualize a mentira. Em sua mente, represente a mentira com ela “aconteceu na verdade”. Isso irá criar o evento em sua mente para você e você se lembrará dela quando começar a recontá-la para os outros. De certa forma, você estará convencendo a si mesmo(a) da revisão da realidade e, quando recontar sua mentira, ela começará a soar como se você estivesse contando a verdade.
    • Um exemplo seria: “Eu arruinei o carro? Bem, eu dirigi em direção ao muro. Então, o muro arruinou o carro. Eu apenas o movi!” Nas imortais palavras de George Costanza (da série Seinfeld): “Não é uma mentira se você acredita nela.” Isso funciona bem quando sua situação é bastante falsa.
    • Alternativamente, tente imaginar que você não era a pessoa. Você é alguém mais, uma pessoa inteiramente nova que não arruinou o carro. Finja ser essa pessoa. Convença a si mesmo(a) que você é a pessoa que não arruinou o carro.
  5. Pratique mentir em frente a um espelho ou a uma câmera de vídeo. Observe suas expressões faciais. Tente deixar seus olhos ligeiramente arregalados e sua boca entreaberta por instantes para um olhar chocado inocente e crível. Inclusive, pratique como se você estivesse segurando o choro. Quando sorrir, mostre seus dentes um pouco e enrugue seus olhos e suas bochechas. Este é um sorriso “sincero” de orelha-a-orelha que cobre todo o seu rosto.
  6. Pense sobre os detalhes. Os detalhe podem fazer muita diferença entre uma mentira crível e um monte óbvio de lixo verbal. Adicione detalhes extras que ajudem a enfeitar o evento e fazê-lo parecer mais real ao ser recontado. Dizer, por exemplo, “Eu estava no Burger King comendo um Whopper com o João e a Maria” é mais crível do que simplesmente “Eu estava no Burger King”.
  7. Faça o oposto do que mentirosos fazem. Existem livros inteiros ensinando com identificar um mentiroso. Obtenha um, leia-o e tenha com objetivo fazer o contrário. As pessoas, no momento em que estão mentindo, tendem a fazer coisas extremas - ou elas tentam evitar o contato visual tanto quanto possível ou nunca interrompem o mesmo. Em uma conversação normal, seus olhos irão se mover e você desviará o olhar para pensar, mas de qualquer forma, você manterá o contato visual. Em todas as probabilidades, sempre haverá algumas sutilezas que um bom identificador de mentirosos irá perceber (no âmbito da aplicação da lei, os policiais e os detectores de mentiras são treinados para identificar diferenças de comportamento, então, aprender o que eles procuram pode lhe ajudar). Mas uma pessoa comum provavelmente pode ser enganada, para isso, basta ter atenção especial para evitar deixar algumas das “pistas” a seguir:
    • Mantenha o contato visual. Mentirosos tendem a desviar o olhar. Quando estiver olhando para a outra pessoa nos olhos, pareça sincero(a), mas não ávido(a) demais. Não fique olhando ao redor e nem encarando. Em uma conversa normal, as pessoas desviam desviam o olhar dos olhos da outra pessoa naturalmente.
    • Relaxe. Não fique inquieto(a), mexendo na roupa ou arrastando os pés. Novamente, estes são sinais de alguém tentando desviar o tópico da conversa.
    • Mantenha suas mãos sob controle. Quando as pessoas estão mentindo, suas mãos tendem a ir em direção às suas faces para cobrir suas bocas ou mexer em partes de seus rostos ou de suas roupas. Mantenha suas mãos relaxadas. Não toque sua cabeça ou fique segurando suas palmas. Mantenha-as ao lado de seu corpo e deixe-as assim.
    • Não use palavras grandes a menos que você tenha o costume de usá-las. Qualquer coisa diferente em sua linguagem e em seu tom de voz irá sugerir que alguma coisa estranha está acontecendo.
    • Mantenha seu sorriso a um mínimo que seja normal. Pense em uma pessoa bajuladora que sorri em demasia quando pretende lhe pedir alguma coisa. Esse tipo de sorriso deixa você alerta para o que vai acontecer em seguida, então, evite sorrir em excesso. Definitivamente, não ria e nem dê gargalhadas.
    • A menos que você tenha fama de gaguejar, não gagueje e, definitivamente, não fique perturbado(a). Algumas pessoas coram ou começam a gaguejar, porque, em alguns casos, seus subconscientes entram em pânico. Mantenha-se calmo(a) e sob controle.
  8. Traga a mentira à tona antes de ser questionado(a) sobre o assunto. É melhor mentir para a pessoa com antecedência do que ter outra pessoa questinando-o(a) mais tarde sobre o mesmo tópico. Se a vítima descobrir seu delito antes de você se explicar, ela terá tempo para deduzir o que aconteceu com um certo grau de exatidão antes mesmo de questioná-lo(a) a respeito, tornando muito mais difícil convencer a pessoa de sua inocência na história.
    • Por exemplo: Marta está em seu quarto quando Silvana, sua colega de apartamento, chega na porta e diz que o cachorro havia comido seu último pedaço de pizza (mas, na verdade, quem comeu foi Silvana). Marta vai até a cozinha, vê a caixa de pizza vazia e dá de ombros. Mas o que aconteceria se Silvana não tivesse dito nada? Marta iria até a cozinha a fim de comer seu último pedaço de pizza, mas ao ver a caixa vazia, presumiria que Silvana havia comido seu lanche e voltaria de lá brava e menos receptiva a qualquer coisa que sua colega dissesse em sua própria defesa.
  9. Faça uma admissão verídica. Se você sente que alguém mais suspeita de sua mentira, admita ou faça a pessoa suspeitar de você com relação a algo insignificante ou falso. Ela morderá a isca e pensará que isso é tudo o que você tem a esconder.
    • Se possível, combine sua mentira com a verdade. Digamos que sua mãe o(a) ouviu falando no telefone sobre o quão bêbado(a) você ficou na noite passada. Ela resolve interrogá-lo(a). Obviamente, você não pode voltar atrás e dizer que você não bebeu nada. Então, inclua alguma verdade enquanto tenta suavizar o ocorrido. Diga: “Sim, mãe, o pessoal tomou uma garrafa de whisky depois do serviço. Eu tomei um drink e desisti. Estava horrível!”
    • Culpe o resultado como a causa. Outra maneira de torcer uma verdade é sugerir que as coisas estavam completamente erradas antes de o grande erro acontecer. Por exemplo, se você tiver quebrado algo, é possível dizer simplesmente “Meu deus! Eu tentei a tarde inteira fazer essa coisa funcionar, fiz tudo de acordo com as instruções do manual e colei fita adesiva. Mas então, de repente, essa coisa imprestável simplesmente quebrou em minhas mãos. E ainda me machucou!”
    • Acrescente uma pequena confissão à sua mentira para reduzir a desconfiança. Por exemplo, seus pais estavam fora da cidade e você deu uma festa em sua casa sem a autorização deles; quando eles retornarem, diga: “Me desculpe, eu me esqueci de dar comida ao cachorro ontem à noite e ele rasgou o sofá quando eu estava fora”. Às vezes, fazer isso pode dar um jeito em sua atitude culposa.
  10. Faça-se de bobo(a). Ser considerado(a) estúpido(a) demais para mentir é uma grande defesa. Minta da pior maneira que puder sobre algo pequeno, mas nunca admita seu erro. Você estará livre para mentir sobre coisas muito maiores sem nunca levantar suspeitas.
    • Finja perda de memória. Se, na hora do almoço, você estava aos beijos e abraços com o namorado que não deveria ter e sua mãe lhe perguntar o que você estava fazendo, ao invés de apenas dizer “Um... nada em especial”, diga algo como “Um, não me lembro... bobagem... estava conversando com alguns amigos”. Esse tipo de resposta soa como algo que os pais esperam ouvir de um adolescente. Tente parecer um pouco confuso(a) enquanto simula uma perda de memória - assim, será mais convincente. Por outro lado, fingir amnésia a um investigador policial a respeito de um evento provavelmente irá levantar suspeitas e qualquer pessoa que não se satisfaça com “Eu não sei, não me lembro” estará muito mais suscetível a prensar você a procura de respostas. Lide com essa abordagem com muita cautela.
  11. Evite histórias elaboradas que necessitam de comprovação. Quanto mais pessoas forem necessárias para dar suporte à sua mentira, mais provável será que um buraco se abra assim que alguém esqueçer seu “papel” nela. Da mesma forma, se algo que você disse pode ser confirmado, como um exame médico, ao checar as datas e ocorrências em registros, verificando as transações de seu cartão de crédito, etc., então, pode ser difícil se esquivar dos fatos que estão em “preto no branco”.
    • Tenha muito cuidado ao desviar a discussão de você para alguém mais. Pode parecer mais fácil mentir e dizer que você não estava fazendo o que o restante da multidão estava entrando em grandes detalhes sobre o assunto. Essa tática de tentar fazer você parecer mais angelical que qualquer outra pessoa na multidão pode ir por água abaixo facilmente uma vez que tudo o que o questionador precisa fazer é conversar com outras pessoas que estavam no lugar para descobrir como você se comportou naquela ocasião. Por exemplo, seu/sua parceiro(a) lhe pergunta se você bebeu demais na noite anterior. Você descreve a noite o máximo que puder, mas mente sobre suas próprias travessuras, contando o que todo mundo fez e dizendo: “Sim, a noite passada foi razoável. Mas você deveria ter visto o Henrique! Ele tomou 6 doses e foi retirado a força do bar por ter batido em alguém!” Embora possa funcionar uma ou duas vezes, se essa se tornar sua tática principal, é provável que ela seja vista como o encobrimento de erros que realmente é.
  12. Pareça indiferente. Outra maneira de se esquivar de uma situação desconfortável é agir com indiferença e evitar responder de forma defensiva. Mantenha sua entonação constante e não proteste em demasia. Aja como se não se importasse com o fato de a pessoa acreditar ou não em você. Caso se saia realmente bom/boa nisso, você pode até fazer parecer que está desapontado(a) pela falta de confiança da pessoa, mas que está disposto(a) a perdoá-la.
    • Seja bastante cuidadoso(a) para não tornar óbvio quando tentar mudar o tema de um assunto. Uma pessoa que continuamente muda o tema quando um tópico surge pode ser notada e colocar o ouvinte em alerta. Tentar ser animado(a) sobre um tópico totalmente diferente quando um assunto importante permanece sem respostas pode “entregar o jogo” de que você está se esforçando para desviar a atenção do verdadeiro problema à mão. Pistas incluem: rir demasiadamente de palhaçadas, soltar piadas inapropriadas, desviar o rumo da conversa e falar com nervosismo, excitação ou de forma loquaz.
  13. Siga em frente. Uma das razões pelas quais a mentira não vinga e não é um bom meio de levar a vida é que você precisa se lembrar dela em toda a sua glória, possivelmente, pelo resto de sua vida. Você não pode se esquecer de sua mentita, de seus detalhes, etc. e precisará continuar tratando a farça como se ela realmente tivesse acontecido. Dependendo do contexto da mentira, permanecer em silêncio sobre a mesma pode levantar suspeitas, especialmente em retrospecto. Então, você precisa continuar mencionando sua mentira em conversas da mesma forma como faria se ela fosse verdade. Este passo pode ser o único que lhe dará uma grande pausa.
  14. Saiba quando não mentir. Finalmente, mas não menos importante, se você pretende mentir, saiba quando é perfeitamente estúpido tentar tal coisa. Existem muitas razões éticas e baseadas na fé para não se mentir e elas se encontram dentro de seu campo pessoal de conflitos, com os quais você terá que lidar. Existem algumas outras realidades nas quais você não decide as probabilidades ou o “karma” e onde a mentira não ajudará em nada, muito menos a você. Então, tendo isso em mente, nunca minta nas seguintes circunstâncias:
    • Para oficiais (do governo, da polícia ou em entrevistas sérias de emprego): diga a verdade a menos que você entenda completamente e esteja preparado(a) para aceitar os resultados. Na maioria dos países, mentir para um oficial da polícia ou em um julgamento é uma grave violação legal. Para o seu próprio bem, seja honesto(a) com relação a atividades criminais; sua pena pode ser reduzida ou seu advogado pode encontrar uma brecha técnica ou legal caso você seja sincero(a) desde o começo. Quanto antes você conseguir um advogado e começar a trabalhar em sua liberação, melhor. Mentir primeiro irá atrasar as coisas e pode fazer com que qualquer explicação honesta que você dê parece astuciosa.
    • Para seu médio ou advogado: pergunte-lhes se o que você pretende falar estará no âmbito do relacionamento profissional (médico-paciente ou advogado-cliente). Em caso afirmativo, tudo o que você lhes disser será confidencial e eles não poderão revelar à corte ou à polícia. Mas isso não será possível se seu médico/psiquiatra pressentir que você irá cometer uma violação grave, como um assassinato. Além disso, alguma outras circunstâncias podem mudar o seu relacionamento com seu advogado/médico, mas não se esqueça de que um advogado é pago para defendê-lo(a) e encontrar circunstâncias atenuantes, então, não pense com seu cérebro reptiliano que deseja se esconder, use seu cortéx cerebral e, ao invés disso, pense em defesas inteligentes.
    • Para fraudar: nunca minta para pessoas com o intuito de obter dinheiro, economias e outros pertences de valor da mesmas. Além de ser ilegal, trata-se de um comportamento baixo e desprezível.
    • Para um assaltante: quando alguém estiver lhe apontando uma faca e quiser sua carteira, lembre-se de que sua vida vale mais do que fingir que você não possui uma carteira.
    • Para seus filhos: evite mentir para seus filhos sobre divórcios ou mortes na família. Eles irão descobrir mais cedo ou mais tarde e a teia de mentira apenas torna as coisas piores. Seja um bom exemplo para eles!
    • Para encobrir alguém: se alguma outra pessoas tiver cometido um crime, deixe-a pagar pelo que fez. De outro modo, você acabará pagando por se tornar um cúmplice ao ter conhecimento do ocorrido e não relatá-lo.

Dicas

  • Não confunda privacidade com necessidade de mentir. Se você não quer contar a ninguém sobre o que está fazendo, então, não conte. Basta dizer da forma mais educada possível que não é da conta de ninguém e dar continuidade ao seu dia.
  • A mentira se resume na impressão que sua audiência tem. Por essa razão, a linguagem corporal é parte vital de uma mentira bem sucedida. Sob o stress da mentira, as pessoas deixam escapar sinais que um olho treinado pode perceber; porém, mesmo um olho sem treino é capaz de detectar as nuances que tornam um comportamento normal em incomum. Dessa forma, ter uma linguagem corporal confiante pode ajudar a conversar uma pessoa de que você está dizendo a “verdade”. Coisas para se ter em mente incluem:
    • Mantenha uma posição corporal aberta. Isso sugere que você está confortável com a situação.
    • Mantenha seus braços e pernas descruzados. Estenda-os.
    • Mantenha uma entonação constante, sem aumentar o tom ou o volume.
    • Desfaça-se de qualquer coisa que esteja segurando. Isso cria uma barreira, através da qual você estará se “escondendo”.
    • Permaneça relaxado(a). Qualquer rigidez irá sugerir que você está nervoso(a) ou escondendo algo. Um bocejo realístico de vez em quando pode ajudar, mas não force.
    • Tome cuidado caso você tenha a tendência de gaguejar muito, mentirosos gaguejam mais que o usual. Beba alguma coisa para disfarçar essa tendência.
  • Considere escrever a mentira em algum lugar caso você seja esquecido(a). Mas tenha em mente que isso pode deixar uma brecha para que você seja descoberto(a). Se for muito ruim, deixe a informação guardada em um envelope junto ao seu advogado, para ser aberto em caso de falecimento.
  • Convença-se de que o que você está dizendo é verdade. Se puder convencer a si mesmo(a), você será capaz de convencer os outros.
  • Esteja ciente de que é fácil escorregar e dizer algo que você somente saberia se estivesse mentindo, seu ouvinte rapidamente irá “pescar” isso. Por exemplo, se você disser “Eu não peguei aquelas laranjas” quando o que a pessoa disse foi simplesmente “Alguém roubou minhas frutas”, então, dizer “laranjas” torna claro que, no mínimo, você tem conhecimento do que havia sido roubado, o que, de certa forma, deixa implícito que você as pegou. Algumas vezes, a esperteza não é o suficiente.
  • Ao trazer alguém mais em uma mentira, use o nome da pessoa para sugerir que você a conhece, uma vez que você somente será questionado sobre quem era a pessoa. Caso se trate de um desabrigado ou vendedor ambulante, você provavelmente não precisa citar nomes, mas não faça isso quando se referir a pessoas que supostamente trabalham com você ou com as quais esteja saindo.
  • Tentar parecer confuso(a) quando uma informação já lhe tiver sido contada pode reverter sua imagem para evasivo(a) ou culpado(a). Seja muito cauteloso(a) com essa emoção!
  • Sua mentira precisa permanecer a mesma não importa com quem você esteja falando. Pense na gravidade disso.
  • Mentirosos efetivos podem ser bons leitores de pessoas e podem levá-las a dizer e pensar aquilo que eles desejam. Por exemplo, como será que algumas pessoas são tão bem sucedidas ao arrecadar dinheiro de almas crédulas para inestir em esquemas que falham dramaticamente? Isso costuma acontecer porque esses mentirosos são bons leitores de pessoas que tendem a dizer aquilo que os outros querem ouvir, pegando as pistas que são deixadas pelas pessoas enquanto fazem suas perguntas. Embora seja moralmente repreensível e ilegal tomar dinheiro de outras pessoas sob falsas pretensões, é importante notar que tais “videntes” tendem a convencer a si mesmos de que estão dizendo verdades (“embora eu não esteja dirigindo uma companhia opulente no momente, em breve, estarei”) e é essa auto-convicção, juntamente com a ingenuidade e a disposição do ouvinte em escutar as coisas que prefere ouvir, que permite que a mentira obtenha sucesso.
  • Mentir para não ser obrigado(a) a fazer algo que você não queira é uma forma passiva de agressão e demonstra uma falta de auto-estima e da habilidade ser independente.
  • Não torne a mentira grande demais como, por exemplo, dizendo que você precisou faltar à aula porque foi convocado para o exército ou dizendo que você sofre de fasciíte necrosante e qualquer pessoa que chegar muito perto irá morrer.
  • Se você criar uma mentira tão complicada a ponto de deixá-lo(a) confuso(a), você cairá em sua própria armadilha. Dizer algo como: “O João pegou o livro de mim. Em seguida, o Tiago pegou dele e deu para a Ana que me devolveu. Mas eu dei novamente ao João, pois ele disse que era dele, mas é meu (na verdade, é do João)”. Isso soa como uma confusão e cheira a mentira.
  • Se você mentir para concordar com o excesso de pressionamento vindo de qualquer pessoa ao seu redor que deseja acreditar que isso é verdade, você pode vir a acreditar nessa mentira e acabar vivendo em uma negação. Isso pode realmente incomodá-lo(a), caso a mentira seja sobre alguma coisa real que você não pode mudar, como o fato de seu chefe estar desviando dinheiro ou de você estar escondendo qualquer coisa. A negação vem em muitas formas e, se você mentir para acompanhar um grupo, você pode acabar acreditando na mentira de modo a causar danos a você e a qualquer outra pessoa.

Avisos

  • Uma vez mentiroso, sempre mentiroso é um sentimento comum para muitos. A lama agarra e é difícil de ser removida.
  • Ao dizer uma mentira para uma pessoa amada ou para alguém que você admira e confia, leve em consideração que alguma vez, no futuro, você poderá se sentir culpado(a). Esse sentimento pode ser permanente e, se você nunca confessar a verdade, poderá descobrir que, em primeiro lugar, teria sido melhor nunca ter mentido.
  • Assim que algumas mentiras parecerem fáceis, dizer umas poucas mentiras a mais será ainda mais fácil. Não começar é sempre a melhor maneira de não cair naquilo que, essencialmente, é um hábito muito ruim que lhe permite escapar da confissão de seus próprios erros e de ser responsável por seus próprios atos.
  • É o ego que, muitas vezes, traz uma mentira para fora, acariciado pela auto-satisfação de ter criado uma mentira tão boa.
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