Como Criar um Mangá

Опубликовал Admin
16-10-2019, 09:00
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Os mangás são histórias em quadrinhos (HQs) de origem japonesa e a sua principal marca é a estética única, com personagens de olhos grandes e expressivos. Se você tem vontade de criar algo do tipo ou até ser um mangaká profissional, leia as dicas deste artigo para saber por onde começar. Não tenha medo: basta se organizar para criar uma história particular e personagens legais e interessantes!

Criando personagens e um mundo próprio

  1. Crie os perfis dos personagens. Para começar, anote algumas características das personalidades e dos atributos físicos dos personagens. Depois, reflita: ele tem poderes? Amigos? Família? Eles são os protagonistas ou personagens secundários?
    • Inspire-se nos personagens do seu mangá favorito.
    • Se você já tem uma ideia para o visual de um personagem, comece com essa parte e descreva os traços de personalidade logo depois.
  2. Desenhe os personagens. Faça a forma básica de um rosto e, em seguida, passe a desenhar as orelhas, os olhos, o nariz e a boca. Lembre-se de que os personagens de mangá têm olhos bastante expressivos e, por isso, experimente questões como tamanho e forma.
    • Faça duas formas ovais nos olhos do personagem para dar a impressão de que a luz está refletindo neles: um em cima da íris em parte da pupila e outro no outro lado do olho, no ponto em que a íris toca o branco.
    • Faça a íris menor nos homens para deixá-los mais masculinos.
  3. Determine onde o enredo é ambientado. Se você estiver sem criatividade, comece desenhando o mapa do mundo que pretende criar. Por exemplo: para um mangá shōnen pós-apocalíptico, escreva alguns nomes de cidades. Depois, faça as florestas, as montanhas e outros pontos onde haja cenas de luta.
    • Pense sempre no gênero do mangá antes de pensar na ambientação. Estude mangás parecidos e veja o que é comum.
    • Pense nos personagens ao criar o mundo. Por exemplo: onde cada personagem mora hoje? Onde cada um nasceu?
  4. Registre os detalhes do enredo em papel. Crie uma história que acomode os personagens e adapte os objetivos, as personalidades e as motivações deles conforme você avança no enredo para deixar tudo mais específico de acordo com o gênero. Decida quem são os personagens mais importantes, qual é a narrativa central e qual é a relação dela com o mundo que surgiu. Por fim, pense em conflitos, mistérios, desafios e reviradas.
    • Não tenha medo de mudar partes do enredo e dos personagens conforme você avança no processo de criação.
  5. Divida o enredo em volumes. Cada capítulo de mangá costuma ter cerca de 19 páginas, embora o primeiro costume ter 15. No total, um volume fica com cerca de 150 páginas (divididas em cinco capítulos). Como há quatro páginas para cada cena, cada capítulo tem cinco cenas.
    • Comece a escrever os eventos principais do enredo e juntá-los em cenas específicas. Depois, junte as cenas em capítulos e os capítulos em volumes.

Escolhendo um tema

  1. Crie um mangá de ação se você quer explorar cenas de luta. Esses mangás, também conhecidos como shōnen ou shōunen — expressões que se referem a histórias com protagonistas em idade escolar —, são marcados pelos diálogos curtos, bastante movimento e inúmeras batalhas. Se você quer dar mais ênfase ao desenho em si do que à história, comece com algo na linha de Naruto, Dragon Ball Z e One Piece.
    • Muitas das narrativas dos mangás shōnen são contadas por meio de flashbacks.
    • O diálogo é intenso e ágil, desde os nomes dos personagens aos ataques em si.
    • O shōnen é o formato ideal para quem quer criar um mangá, mas não entende tanto o japonês.
    • Os mangás shōnen com protagonistas femininas estão cada vez mais populares.
  2. Crie um mangá sobre magia para contar uma história clássica do bem contra o mal. Esse gênero de mangá traz protagonistas femininas jovens e que são transformadas em super-heroínas — geralmente, por meio de objetos mágicos — para combater o mal. As personagens estão prestes a entrar ou já no meio ou fim da puberdade. Embora as histórias tragam muitas cenas de luta e bastante ação, elas também dão foco a temas como amizade, lições da vida, amor e amadurecimento.
    • Esses mangás pertencem ao gênero shōjo, cujo maior público são meninas jovens.
    • Sailor Moon e Cardcaptor Sakura são dois dos maiores exemplos de shōjo.
  3. Crie um mangá seinen se você prefere contar histórias mais maduras e sombrias. Os mangás seinen são o oposto do shōnen, embora haja algumas semelhanças. Eles trazem histórias mais sombrias e com temas como política, ação, fantasia, ficção científica, esportes, relacionamentos e comédia. Além disso, são mais violentos e contêm mais elementos psicológicos do que os shōnen normais — chegando, inclusive, a ter conteúdo pornográfico.
    • Crie um seinen se você quer misturar as cenas de luta com enredos e personagens sombrios.
    • Ghost in the Shell, Tokyo Ghoul, Berserk, Gantz e 20th Century Boys são os principais exemplos do gênero.
  4. Crie um mangá de comédia se você quer contar piadas e se basear no mundo real. Os mangás de comédia são os que trazem mais diálogos. Por isso, é preciso dominar o idioma em que se escreve a história. Os balões de fala também vêm e vão em menos tempo, mas são mais tranquilos de acompanhar do que os mangás de ação — afinal, o foco é a conversa, e não as crises emocionais dos personagens.
    • Decida em que tipo de piada você quer concentrar o enredo: piadas normais, paródias, piadas românticas etc.
    • O enredo dos mangás de comédia pode acontecer em qualquer lugar, mas geralmente é ambientado no mundo real, como em escolas. Se você prefere algo mais mágico, crie um mangá de ação.
  5. Crie um mangá de monstros se você gosta de ação e animais. Os principais mangás desse gênero são Pokémon e Digimon. O enredo deles gira em torno de monstros de batalha — muitas vezes, baseados em animais de verdade — que têm uma missão ou aventura. Geralmente, os personagens principais são garotos jovens que exploram o mundo em busca de novos monstros.
  6. Crie um mangá de mecha se você gosta de ação e robôs. A palavra mecha (ou "meca") vem de "mecânico". No caso dos mangás, o enredo gira em torno de robôs — de forma humana ou não — pilotados por pessoas. Os principais exemplos são Gundam, Neon Genesis Evangelion e Knights of Sidonia. No fim das contas, dá para encaixar esse gênero em vários tipos de mangá, como comédia, terror, ação etc. Ainda assim, como o protagonista é uma pessoa, o robô pilotado acaba sendo considerado um mecha.
    • Desenhe robôs que sejam feitos de vários robôs menores, ao estilo Power Rangers.

Criando os quadrinhos do mangá

  1. Decida qual vai ser a direção da leitura. No geral, os mangás japoneses são lidos de cima para baixo, da direita para a esquerda. Se você quer criar algo tradicional, siga essa regra. Se não quiser, use a direção ocidental: da esquerda para a direita.
    • Determine qual é o seu público-alvo. Por exemplo: se você acredita que os principais leitores do mangá vão ser os japoneses, escreva-o da direita para a esquerda.
    • Seja qual for a direção, seja consistente. Não dá para mudar depois!
  2. Faça três balões de diálogo em cada painel e cinco painéis por página. Os mangás têm uma leitura muito mais ágil que as HQs ocidentais. Ou seja: há mais páginas, mas com menos painéis e menos diálogos. No geral, não passe de três balões em cada painel e de cinco painéis em cada página.
    • No geral, distribua cada cena em quatro páginas.
    • Deixe sempre de 6 mm a 1,3 cm de distância entre os grupos de painéis.
    • Não deixe partes de painéis diferentes entrarem em contato uma com as outras.
  3. Use quatro painéis retangulares longos quando o enredo for cômico. Esse layout é clássico e ideal para os pontos do enredo ou as cenas que acontecem em uma página só. Ele funciona ainda mais para quem quer contar piadas simples, mas também serve para apresentar trechos de diálogo mais uniformes e básicos.
    • Com esse leiaute, use o primeiro painel para dar o pontapé inicial na cena, o segundo para criar o evento que leva ao clímax, o terceiro para o clímax em si e o quarto para mostrar a reação ou conclusão.
  4. Aumente o número e a variedade de painéis nas cenas de ação. Como as cenas de ação têm mais movimentos e mudanças de direção, você pode aumentar a quantidade de painéis e variar no formato para deixar a página mais dinâmica. Por exemplo: faça três painéis pequenos para mostrar um personagem dando um soco em alguém — o primeiro nos olhos irados, o segundo no braço retido e o terceiro focado no golpe em si. Você pode até fazer as bordas desse terceiro painel em zigue-zague!
    • Troque os painéis quadrados e retangulares por triângulos ou pelo ziguezague para criar algo mais dinâmico.
    • Use painéis menores para dar ênfase à ação, e não ao cenário, quando ele não for importante.
  5. Use quadrados ou retângulos grandes e simples para representar os diálogos. Quando os personagens estiverem tendo alguma conversa importante, os balões de diálogo têm que sobressair às imagens. Nesses casos, use painéis grandes e simples para capturar todas as palavras, mas sem tirar o foco do lugar certo.
    • Faça painéis grandes para mostrar os rostos e as reações dos personagens.
    • Mude os ângulos para dinamizar a conversa e prender o interesse do leitor.
    • Não faça tantas mudanças drásticas entre os painéis, ou você vai tirar o foco das palavras em si.
    • Não faça aquela "cauda" nos balões para indicar que personagem está falando. O ideal é colocar o balão perto do locutor e, se necessário, usar alguma expressão para mostrar que a fala está saindo dele.
    • Faça balões com pontas para representar gritos e ataques de fúria e com arcos para representar os pensamentos.
  6. Desenhe as imagens e os cenários grandes em duas páginas. Geralmente, o desenhista usa duas ou mais páginas quando quer mostrar uma imagem ou um cenário mais detalhado, bem como dar ênfase a um personagem. Por exemplo: as duas primeiras páginas de um mangá de ação que começa com uma luta entre dois personagens podem trazer o cenário desse combate, como uma grande floresta ou montanha.
    • Use painéis grandes no início do mangá ou divida uma luta ágil em painéis menores. Por exemplo: faça uma imagem interconectada para chocar o leitor ou dar contraste em um combate corporal.
  7. Brinque com o dinamismo do leiaute dos painéis. O mangá é um meio dinâmico e não deve ser limitado por painéis enfileirados tradicionais. Por isso, brinque com a largura e a altura das páginas e use linhas diagonais e formas alternativas ou faça os personagens extrapolarem o limite geométricos.
    • Use o fade in ou fade out para dar mais peso às partes dramáticas do enredo.
    • Leia o seu mangá favorito e copie os leiautes variados dos painéis.
    • Use painéis dinâmicos e com ângulos variados para mostrar pontos de vista diferentes.
    • Encare cada painel como um ângulo de câmera.
  8. Dê a impressão de movimento nos personagens e nos planos de fundo. Ao contrário das HQs de super-heróis ocidentais, que trazem personagens bem desenhados e detalhados, os mangás brincam com as formas em movimento, os planos de fundo e outros aspectos para dar uma noção maior de dinamismo.
  9. Use planos de fundo abstratos, onomatopeias e outros elementos gramaticais visuais. Esses elementos ajudam a mostrar as emoções dos personagens. Por exemplo: se uma das protagonistas do mangá de magia está pensando no rapaz de quem ela gosta, desenhe flores no fundo para representar o romance. Em relação aos elementos gramaticais visuais, você pode expressar o nervosismo por meio do suor.
    • Se você criar um shōnen, desenhe chamas no fundo quando o personagem estiver irritado ou concentrando mais poder.
    • Faça pontos girando em espiral ou sombras pretas se o personagem estiver atormentado psicologicamente.
    • Faça uma cerquilha (o jogo da velha) na testa dos personagens que estiverem irritados ou tufos de ar na boca quando eles estiverem tristes.
    • Junte os planos de fundo e os elementos visuais ou use-os separados.

Dicas

  • Não desista se os seus primeiros desenhos não ficarem tão bons. Você vai precisar de tempo e prática para dominar a arte!
  • Tente publicar algo seu, mesmo que nas suas mídias sociais, antes de tentar enviar o mangá a uma editora grande.
  • Crie várias versões dos mesmos personagens e compare-as para ver quais mais combinam com as personalidades de cada um.
  • Continue desenhando e, de vez em quando, veja se você cometeu algum erro.
  • Sempre tenha o gênero em mente ao pensar no enredo. Não se limite aos estereótipos de cada um, mas tenha cuidado ao misturar. Por exemplo: não é bom colocar alienígenas em enredos de romance, mas eles também podem ser bem inseridos se forem essenciais à história!
  • Nunca use o mesmo enredo ou os mesmos personagens que você criou logo de cara. Dedique bastante tempo ao processo, ainda mais se o resultado ficar aquém do esperado. As suas habilidades vão melhorar gradualmente!
  • Não exagere. Não escreva enredos longos demais, pois eles acabam entediando o leitor — a menos que haja algumas cenas de luta no meio. Além disso, modere nos diálogos.
  • Seja criativo e tenha parcimônia com a inclusão de personagens novos, sejam eles importantes ou nem tanto. Insira-os no enredo somente se fizer sentido de ponto de vista narrativo.
  • Você não precisa colorir o mangá inteiro, e sim as primeiras páginas. O resto pode ficar em preto e branco.
  • Não adianta tentar virar um mangaká profissional e chamar atenção no Japão sem experiência.. Se você quer mergulhar na cultura do país, faça pesquisas na internet, veja vídeos, leia livros etc. até ter condições de fazer uma viagem de turismo para expandir ainda mais o seu conhecimento.

Avisos

  • Não mude o enredo depois de desenhar as imagens, ainda mais se você for trabalhar com outro artista.
  • Prepare-se para não lucrar (quase) nada, a menos que você chame a atenção de uma editora que esteja disposta a investir no seu trabalho.
  • O enredo é sempre a prioridade! Nenhum mangá faz sucesso quando coloca somente a arte em primeiro lugar.
  • Não se desespere se nenhuma editora aprovar o seu trabalho. Pergunte onde você errou, repare a situação e tente de novo.

Materiais Necessários

  • Papel manuscrito.
  • Borracha.
  • Lápis.
  • Régua.
  • Computador.
  • Scanner.
  • Programa de edição de imagens.
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